Parça do Master precisa revelar as lavanderias do PCC na Faria Lima
A notícia de que João Carlos Mansur, ex-dono e fundador da liquidada Reag Investimentos, entregou à Procuradoria-Geral da República uma proposta de delação premiada focando em Daniel Vorcaro e nas entranhas do Master , revelada por Natália Portinari, no UOL, é emblemática. Mansur, que durante anos presidiu uma estrutura que atingiu impressionantes R$ 340 bilhões de patrimônio sob gestão, sabe onde os esqueletos foram enterrados.
Sua proposta de colaboração premiada junto à PGR, assim como uma eventual do próprio Vorcaro, ou a de Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", este junto ao Ministério Público de São Paulo, não pode se resumir a um acerto de contas pela metade.
Se essas delações pretendem de fato contribuir com o país, precisam responder quem, no centro financeiro do Brasil, encheu os bolsos ajudando a lavar a grana do Primeiro Comando da Capital e inflando ativos podres com perfume de legalidade?
Punir quem montou e operou a engrenagem do Banco Master e seus fundos parceiros é medida civilizatória e inegociável. Mas quem exige cadeia para agentes públicos, políticos e magistrados corruptos, e trata agentes do mercado financeiro como meros espectadores ingênuos de sua própria devassidão, dança nu com a seletividade.
Sim, o debate público brasileiro, viciado em seus velhos cacoetes, adora uma rota de fuga conveniente, apontando o dedo para gabinetes em Brasília, enquanto a outra metade da história (aquela que veste colete puffer e despacha em prédios espelhados da avenida Faria Lima) tenta fazer a egípcia. Ou pagar de vítima.
As investigações mostraram que fundos administrados pela Reag movimentavam cifras bilionárias ligadas a esquemas de combustíveis adulterados e fraudes tributárias a serviço do PCC. Paralelamente, como revelaram a Polícia Federal e o Banco Central, a mesmíssima estrutura de fundos servia para uma ciranda mágica com o Master: empresas sem operação real tomavam empréstimos, compravam cotas em fundos da Reag e, em minutos, ativos podres (como créditos imprestáveis de estatais extintas ou terrenos sem valor) eram registrados por quantias astronômicas para maquiar balanços e irrigar o mercado.
Foi com esse malabarismo descarado que o banco empurrou montanhas de CDBs com rentabilidades agressivas para investidores do varejo, sustentados pela muleta do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), deixando um rombo de dezenas de bilhões de reais para o sistema pagar. Enquanto a conta estoura nos fundos de previdência de servidores municipais e estaduais (que viram a economia de uma vida de trabalho virar fumaça), a elite financeira tenta emplacar a tese de "falha pontual de compliance".
Plataformas de distribuição, grandes corretoras, auditores independentes e comitês de ética possuem equipes sofisticadas, economistas laureados e algoritmos capazes de escanear o histórico de qualquer cidadão comum. Quando o dinheiro do crime organizado e da especulação predatória entra em campo de terno e gravata, contudo, setores da Faria Lima fingem não sentir o cheiro do combustível batizado ou do papel sem lastro.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.