Qual é o risco real de uma guerra entre Rússia e Alemanha?
Qual é o risco real de uma guerra entre Rússia e Alemanha? - Especialistas veem exército alemão ainda pouco preparado, militar e psicologicamente, para enfrentar provocações russas. Fim do apoio à Ucrânia tampouco aumentaria a segurança do país.Os alertas sobre uma ameaça russa à Alemanha vêm se multiplicando. O presidente do Verfassungsschutz, o serviço de inteligência interna alemão, Sinan Selen, afirmou na segunda-feira (12/10), em Berlim, que ataques encobertos e ações de desestabilização promovidos pela Rússia contra a Alemanha e outros países europeus não representam "um fenômeno passageiro, mas um ataque híbrido planejado para o longo prazo".
Segundo Selen, a ameaça representada pela Rússia não desaparecerá com o fim da guerra na Ucrânia. "Para a Rússia, está em jogo uma redefinição completa do mapa político da Europa e de seu próprio papel no continente e na política mundial", disse o presidente do Verfassungschutz. De acordo com ele, as ações agressivas de Moscou continuarão sendo vistas não apenas na Ucrânia, mas também nos países bálticos, na Polônia e, sobretudo, na Alemanha.
O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, resumiu a situação de outra forma. "Nosso país não está em guerra, mas somos alvo diariamente de uma guerra híbrida", declarou. Segundo ele, a Rússia não busca derrotar a Alemanha militarmente, "mas submetê-la política e socialmente".
Especialistas em segurança, porém, não têm tanta certeza de que a Rússia esteja interessada apenas em influência política e social. Já no ano passado, o cientista político Carlo Masala afirmou, na televisão alemã, que "a Rússia está se preparando para uma grande guerra". E ele não se referia apenas a uma guerra cibernética. O general Carsten Breuer, comandante máximo da Bundeswehr, as forças armadas alemãs, concorda com a avaliação.
Por enquanto, a Rússia segue fortemente envolvida na guerra na Ucrânia. Na avaliação do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, não existe atualmente uma ameaça militar imediata ao território da aliança. No entanto, segundo avaliações convergentes de especialistas militares, serviços de inteligência europeus e do Ministério da Defesa da Alemanha, Moscou terá até 2029 capacidade humana e material para travar uma guerra convencional contra a Otan. A indústria bélica russa opera em ritmo acelerado, e o Kremlin planeja ampliar seu contingente militar para 1,5 milhão de soldados.
Para Stefan Meister, especialista em Europa Oriental da Sociedade Alemã de Política Externa, o objetivo de Moscou neste momento é outro. "Acredito que a Rússia não tem interesse atualmente em um confronto militar direto com a Otan. O que ela quer é testar a aliança e expor suas fragilidades", diz ele à DW.
Um exemplo disso foi a tentativa frustrada, em agosto, de atacar com um drone carregado de explosivos aeronaves de transporte ucranianas no aeroporto de Leipzig-Halle, no leste alemão. Grande parte da ajuda militar enviada à Ucrânia passa por esse terminal. Pouco depois, o governo da Alemanha declarou estar convencido de que a Rússia estava por trás da ação.
Na época, o especialista em segurança Nico Lange afirmou à DW que o explosivo não foi detonado por sorte.
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