Bancões engordam ‘dinheiro do colchão’ e acumulam R$ 47 bi para enfrentar calotes; perigo à vista para BBAS3, ITUB4, SANB11 e BBDC4?
A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 dos bancões ganhou especial atenção depois que o sentimento do mercado piorou.
Conhecidos como bons termômetros da economia, os lucros até que subiram.
Somados, Bradesco ( BBDC4 ), Itaú ( ITUB4 ), Santander ( SANB11 ), Banco do Brasil ( BBSA3 ) e BTG ( BPAC11 ) lucraram R$ 30 bilhões, contra R$ 27 bilhões no ano passado, alta de 11,1% , segundo dados da Elos Ayta.
Porém, houve aumento expressivo no colchão usado pelos bancos para se proteger dos calotes, o famoso PDD.
Bastou um trimestre para que as provisões dos bancos, somadas, saíssem de R$ 40 bilhões para R$ 47 bilhões, de acordo com o mesmo levantamento.
Isso significa que a piora do cenário não é uma fantasia: ela, de fato, está sendo sentida pelos bancos.
Mais do que isso, diz o Bank of America : as provisões cresceram acima das carteiras de empréstimos nos últimos trimestres, resultando em um custo do risco sequencialmente maior.
“Isso sugere uma maior probabilidade de inadimplência”.
Outros dados dão ‘cor’ para esse cenário indigesto.
Rafael Dadoorian, sócio fundador da Convexas, lembra que o endividamento das famílias bateu recorde histórico em julho, quando chegou a 82%, enquanto o número de companhias em recuperação judicial saltou 65,8% entre o segundo trimestre de 2023 e o mesmo período deste ano.
Só no varejo, o crescimento das recuperações judiciais chegou a 20,4% em 12 meses.
No último fim de semana, Casas Bahia ( BHIA3 ) e Marabraz foram às portas da Justiça para pedir recuperação judicial , com dívidas que ultrapassam os R$ 18 bilhões.
E a taxa de inadimplência das pessoas jurídicas, ou seja, das empresas, que já foi de 1,5% em 2020, hoje está em 4%.
De qualquer forma, Dadoorian diz que os quatro bancos seguem sólidos, rentáveis e bem geridos.
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