De tiros a sequestro, relatório aponta risco de escalada de ataques a indígenas
Ataques a tiros contra barracos, ações policiais com bombas de gás e balas de borracha, sequestro e relatos de violência sexual aparecem entre os episódios registrados em áreas chamadas de “retomadas” pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e pelas próprias comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul ao longo de 2025.
O termo é usado para definir áreas que grupos indígenas voltam a ocupar por considerá-las parte de seus territórios tradicionais.
Em vários desses locais há disputas fundiárias, processos de demarcação ainda não concluídos e propriedades rurais reconhecidas ou reivindicadas por particulares.
Os casos constam no relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, divulgado pelo Cimi, e se concentram principalmente em áreas ocupadas por comunidades Guarani e Kaiowá.
Entre os locais citados estão Guyraroka, em Caarapó, Iguatemipegua I, em Iguatemi, e Dourados-Amambaipeguá III.
Em Guyraroka, o Cimi afirma que os conflitos se intensificaram a partir de setembro, depois que indígenas voltaram a ocupar parte da Fazenda Ipuitã, área apontada pelo relatório como sobreposta à terra indígena.
Segundo a entidade, a ocupação ocorreu após denúncias da comunidade sobre pulverização de agrotóxicos próxima às moradias.
Conforme o documento, no dia seguinte à ocupação a Tropa de Choque da PM (Polícia Militar) realizou uma ação no local.
O Cimi afirma que pelo menos dois indígenas foram atingidos por balas de borracha e que outros sofreram agressões.
A entidade também sustenta que a intervenção ocorreu sem ordem judicial e sem a presença da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas).
A tensão continuou nas semanas seguintes.
De acordo com o relatório, em 17 de outubro houve nova intervenção policial durante um protesto contra o avanço de tratores e o plantio próximo à comunidade.
O Cimi relata que quatro indígenas, três mulheres e um adolescente de 14 anos, foram atingidos por balas de borracha.
Outras cinco pessoas, entre elas duas gestantes, teriam sofrido intoxicação pela fumaça de bombas de gás.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.campograndenews.com.br — o conteúdo pertence a Campo Grande News.