As perdas invisíveis que a empresa não contabiliza: como a cibersegurança ajuda a proteger margem e receita
Por Afonso Coelho Toda empresa sabe quanto perde com aquilo que consegue enxergar, mas o grande desafio está em tudo aquilo que a organização perde sem nunca conseguir classificar de forma clara.
Ruptura de estoque, avaria, quebra operacional, sinistro, perda comercial, inadimplência e retrabalho são rótulos contábeis confortáveis que escondem, com frequência, o mesmo fenômeno, que é a captura indevida de valor ao longo da cadeia de suprimentos.
E boa parte desse desvio, hoje, passa por um sistema, uma credencial, uma API, um cadastro ou até mesmo um sensor digital.
É por isso que uma tese que ainda circula pouco nos comitês executivos deve ser levada em conta.
A cibersegurança em ambientes de tecnologia da informação (TI) e tecnologia operacional (OT) é uma das alavancas mais poderosas e, ao mesmo tempo, mais subutilizadas para a proteção de margem à disposição da indústria e do mercado de consumo.
O problema já não é a ausência de tecnologia, pois ela existe, está madura e é acessível.
O que falta é tratá-la como um ativo de proteção de receita, e não como um centro de custo técnico e isolado.
O tamanho do que não se vê Quando se observam as perdas brasileiras com componentes digitais ou operacionais, o tema deixa de ser um detalhe de rodapé no balanço.
Energia elétrica: as perdas não técnicas, como irregularidades em medidores e ligações clandestinas, custaram R$ 11,5 bilhões ao sistema em 2025.
Elas corresponderam a 45 TWh, ou 7,1% de toda a energia injetada nas redes de distribuição.
Saneamento: o país perde 39,5% da água produzida durante a distribuição, segundo o SINISA 2025.
Parte disso corresponde a vazamentos físicos, mas também há perdas comerciais relacionadas a falhas de medição, submedição, fraudes e ligações clandestinas.
Roubo de carga: em 2025, o Brasil registrou 8.570 ocorrências, uma redução de 16,7% em relação a 2024.
O prejuízo direto foi estimado em aproximadamente R$ 900 milhões, podendo superar R$ 1 bilhão quando considerados seguros, custos operacionais e outros efeitos indiretos.
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