América Latina: como super El Niño afetará principal região exportadora de alimentos?
BUENOS AIRES/SÃO PAULO, 13 Ago (Reuters) – A América Latina se prepara para o que, segundo especialistas, pode ser o El Niño mais intenso já registrado, o que levanta questões sobre como esse fenômeno climático afetará a principal região exportadora de alimentos do mundo.
O El Niño, caracterizado por temperaturas da superfície do mar excepcionalmente altas na região central e oriental do Oceano Pacífico tropical, altera os padrões climáticos em todo o mundo.
Na América Latina, ele costuma trazer chuvas mais intensas ao sul, ao mesmo tempo em que aumenta os riscos de seca mais ao norte, afetando a agricultura, a produção de energia, as rotas comerciais e o meio ambiente.
Um inverno excepcionalmente chuvoso no Hemisfério Sul, perturbações nos ecossistemas marinhos do Pacífico e condições de seca já estão afetando partes do Caribe e da Amazônia.
Leia mais: El Niño deve ser forte, mas atual sistema alimentar global está mais resiliente Pesquisadores esperam que o fenômeno se intensifique e possa superar a intensidade do El Niño de 2015/16 — o mais forte já registrado na história moderna.
A seguir, apresentamos alguns dos impactos esperados: IRRIGAÇÃO DE CULTURAS Nos férteis Pampas da Argentina, no Paraguai, no Uruguai e no Sul do Brasil, o El Niño costuma trazer chuvas acima do normal.
Apesar das preocupações com um El Niño forte ou ‘super’, analistas afirmam que mais água geralmente é benéfica para as culturas.
Germán Heinzenknecht, meteorologista da Consultoria de Climatologia Aplicada da Argentina, disse que, assim como em ciclos anteriores, o El Niño poderia impulsionar as safras de soja, milho e trigo, fornecendo umidade ao solo para o plantio e melhorando a disponibilidade de água durante o verão, de dezembro a fevereiro.
O excesso de umidade pode, no entanto, aumentar o risco de doenças fúngicas e levar embora os nutrientes dos campos fertilizados.
INFRAESTRUTURA VULNERÁVEL Um El Niño mais forte também pode significar que algumas áreas rurais sofrerão inundações, embora essas sejam, em sua maioria, terras geograficamente propensas a tais eventos, acrescentou Heinzenknecht.
Estradas enlameadas ou alagadas podem impedir que os agricultores sul-americanos tenham acesso aos campos, complicando os esforços para aplicar fertilizantes e produtos químicos para proteger a produtividade, disse ele.
Muitas das estradas rurais que cruzam os principais centros agrícolas do sul da região já se encontram em más condições.
Chuvas intensas a partir de setembro também podem causar inundações nas cidades e nas rotas de transporte para os portos — o que levou o governo do Paraguai a colocar unidades militares em alerta e mobilizar equipes de engenharia civil em julho.
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