Peixes do ES têm anomalias ligadas ao desastre de Mariana, diz estudo
Uma pesquisa encontrou uma alta incidência de anomalias em estruturas internas de peixes coletados no litoral do Espírito Santo .
Das 38 estruturas analisadas, 23 apresentaram alterações — o equivalente a 60,5% da amostra.
Segundo os pesquisadores, o desastre de Mariana pode estar relacionado ao resultado.
O estudo, publicado em 07 de agosto na revista científica Ocean and Coastal Research , analisou exemplares de Stellifer naso , espécie encontrada na costa brasileira.
Os animais foram coletados em maio de 2022, na foz do Rio São Mateus , perto dos municípios de Conceição da Barra e São Mateus, no Espírito Santo.
Os cientistas avaliaram os otólitos, pequenas estruturas calcificadas localizadas no ouvido interno dos peixes e relacionadas ao equilíbrio e à percepção do ambiente.
A forma e a composição dos otólitos podem ser influenciadas pelas condições da água e pelo estado do próprio animal, por isso alterações podem funcionar como indicadores de estresse ambiental.
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A proporção de 60,5% foi a maior já relatada em peixes costeiros no Brasil entre os estudos comparados pelos autores.
As principais alterações foram projeções anormais na superfície dos otólitos.
Os pesquisadores também identificaram, em um exemplar, uma malformação no sulcus acusticus, região importante da estrutura.
As análises mostraram ainda que os otólitos anormais apresentavam maior variação de formato do que os considerados normais.
Qual é a relação com o desastre de Mariana? Em novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG) , lançou rejeitos de mineração no Rio Doce.
O material percorreu a bacia hidrográfica até alcançar o oceano, provocando graves impactos ambientais.
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