Anomalias em peixes do ES podem ter sido causadas por desastre de Mariana, sugere estudo
Um estudo feito por pesquisadores brasileiros identificou, no litoral do Espírito Santo, o maior índice de anomalias já observado em peixes costeiros de todo o país.
Segundo a pesquisa, 60,5% dos animais da espécie Stellifer naso apresentaram deformidades nos chamados otólitos sagitais – estruturas calcificadas localizadas nos ouvidos internos dos animais, responsáveis pelo equilíbrio e pela detecção de sons.
A título de comparação, a maior taxa de deformações já descrita em otólitos até então era de apenas 27,11%, entre os bagres da espécie Cathorops spixii .
É relativamente comum que espécies que habitam águas rasas, como zonas costeiras, sejam mais vulneráveis à poluição acumulada na lama e na areia e, por isso, apresentem anomalias Continua após a publicidade .
Ainda assim, o número sem precedentes de alterações encontradas nos arredores do município capixaba de Conceição da Barra levou os pesquisadores a outra hipótese.
Eles sugerem que a alta incidência de malformações pode estar relacionada ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em novembro de 2015.
Em apenas 16 dias, o desastre liberou entre 50 milhões e 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, que percorreram o rio Doce até desaguar no Oceano Atlântico, na altura do município de Linhares (ES).
“Comparando com outros trabalhos similares no Brasil e também expandindo para outras regiões, o nosso trabalho teve um resultado bem acima da média em quantidade de peixes com anomalias, o que possivelmente está relacionado às marcas do desastre”, destaca o pesquisador Jonas Andrade-Santos, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Continua após a publicidade Mas é difícil afirmar com certeza que esta é a causa do fenômeno, já que pesquisadores não têm amostras de peixes na região antes da tragédia.
Ou seja, trata-se de uma hipótese não confirmada.
Peixes-palhaço e anêmonas estão desaparecendo por causa do calor Continua após a publicidade O que se sabe é que os Stellifer naso analisados pela pesquisa foram coletados quase sete anos após o rompimento da barragem, em 2022, e ainda apresentavam altas taxas de malformações.
A persistência seria uma evidência da lentidão na recuperação do ecossistema costeiro do Espírito Santo.
É por isso Andrade defende iniciativas de coleções biológicas de referência em universidades locais – o que, claro, precisa de financiamento.
Isso permitirá que futuros estudos avaliem o impacto exato da contaminação ambiental nos seres vivos da região.
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