Como os drones estão mudando a lógica dos combates no Irã e na Ucrânia
Durante séculos, prevaleceu nas guerras a lógica de que o Exército mais numeroso e com mais armas letais sai vitorioso.
Tão simples quanto infalível, a equação foi forjada por impérios que subjugaram nações inteiras graças à superioridade bélica, mas foi posta à prova em conflitos assimétricos — como o do Vietnã, nos anos 1950, 1960 e 1970 — em que estratégias não convencionais foram capazes de inverter batalhas.
Algo semelhante ocorre na Ucrânia e no Irã, agora.
O principal fator voa baixo, não expõe soldados a riscos e custa uma fração ínfima de qualquer bateria de mísseis supersônicos: os drones.
“A ascensão dessa tecnologia é uma característica definidora dos conflitos do século XXI, levando nações e alianças a se adaptarem rapidamente”, diz Michael Newton, pesquisador do Center for European Policy Analysis.
Nenhum país sintetiza tanto a mudança histórica quanto a Ucrânia.
Com um PIB dez vezes inferior e território infinitamente menor que o da Rússia, o país do presidente Volodymyr Zelensky decidiu enfrentar o inimigo reformando a base fabril para manufaturar pequenas aeronaves controladas a distância e que explodem ao encontrar os alvos.
DAVI – O pequeno Shahed, principal arma iraniana: trunfo da Rússia IStock/Getty Images Em vez de recorrer ao modelo estatal e centralizado, o governo desenvolveu um mecanismo privado, mais ágil.
“O Estado garante as encomendas, criando uma demanda constante à qual centenas de startups respondem”, afirma a cientista social ucraniana Lesia Bidochko.
Hoje, essas pequenas companhias mantêm linhas de montagem que produzem meio milhão de unidades por mês, a maioria de modelos pilotados com o apoio de óculos alimentados por inteligência artificial.
Segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, as aeronaves não tripuladas respondem por 70% de todas as baixas dos inimigos ocorridas em combate.
Continua após a publicidade O uso desses aparelhos mudou a dinâmica no front, com vídeos dos ataques viralizando nas redes sociais.
Na madrugada de segunda-feira 10, drones ucranianos atingiram um complexo petroquímico e uma refinaria no território russo do Tartaristão, deixando treze mortos e dezenas de feridos.
A investida se soma a ataques a instalações civis, como os galpões da empresa de logística Wildberries — espécie de Amazon russa — e barracas de praia às margens do Mar Negro, onde sete banhistas morreram.
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