Retaliação do Canadá às tarifas americanas testa os limites do poder de Trump
Os recentes comentários do vice-presidente americano, J.D.
Vance, podem não ter ajudado nas negociações comerciais com o Canadá Getty Images via BBC Dois dias antes das negociações comerciais entre os Estados Unidos e o Canadá saírem dramaticamente dos trilhos, o vice-presidente americano, J.D.
Vance, declarava ao público em um evento privado de levantamento de fundos que o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, é uma "pessoa muito agradável".
Em uma gravação de áudio privada que vazou para a imprensa canadense, Vance teria prosseguido, dizendo que Carney "chega, estufa o peito e diz: 'Veja, vou ser mais durão que Donald Trump'." Ele descreveu a estratégia como "hilária", pois os canadenses, no fim das contas, "recuam em muitas questões". ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Os comentários receberam extensa cobertura jornalística no Canadá.
Eles talvez não tenham sido a principal razão para que os diplomatas de Carney fizessem as malas e voltassem para casa no fim de semana passado, mas certamente também não ajudaram.
A decisão de Carney pôs fim abruptamente às negociações sobre um novo acordo comercial e gerou uma nova onda de tarifas de importação entre os dois países vizinhos.
O comércio bilateral entre eles soma mais de US$ 872 bilhões (cerca de R$ 4,5 trilhões) todos os anos.
As sérias divergências que se aprofundam cada vez mais, ao lado dos comentários de Vance, oferecem mais um exemplo de como o governo Trump está disposto a exercer sua força no cenário global contra amigos e inimigos.
E destaca novamente as consequências potencialmente prejudiciais das suas ações.
Além disso, se Trump pensava que os canadenses iriam ceder frente às pressões americanas (como fizeram muitos aliados dos Estados Unidos nos últimos 19 anos), ele pode ter calculado mal a situação.
E as consequências deste erro podem perdurar até o fim do seu mandato na Casa Branca. 'Lago América': Trump provoca o Canadá, mas gera mais tédio do que indignação Após tarifas de Trump, Canadá anuncia retaliação de até 50% contra os EUA Por que Trump está atacando o Canadá? A recente ruptura foi surpreendente, mas os atritos entre os Estados Unidos e o Canadá datam do primeiro mandato de Donald Trump (2017-2021) e das negociações que criaram o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês).
Esse tratado substituiu o Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), dos anos 1990.
Os conflitos pessoais entre Donald Trump e o então primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau (2015-2025), dificultaram as negociações.
Quando se preparava para voltar à Casa Branca, no final de 2024, Trump se referiu ironicamente a Trudeau como "governador" e ao Canadá como o "51° Estado" americano.
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