Auditores em órbita: como a Receita Federal pretende usar a inteligência geoespacial para recalibrar a malha fina do ITR em 2026
A Receita Federal já começou a receber a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ( DITR ) referente a 2026. Os donos de propriedades rurais têm até 30 de setembro para entregar a declaração. Uma das novidades para este ano é a ampliação do uso de satélites e o cruzamento de dados do Cadastro Ambiental Rural ( CAR ) para fiscalizar o ITR ( Imposto Territorial Rural ) no agronegócio .
A nova gestão geoespacial obriga produtores rurais a reforçarem a conformidade tributária e patrimonial no campo. A medida é respaldada pela Instrução Normativa RFB nº 2.330 e utiliza inteligência automatizada com georreferenciamento de precisão para identificar divergências em declarações fiscais.
O monitoramento remoto integrado opera sob a lógica da convergência entre informações ambientais, territoriais e financeiras.
Enquanto o CAR detalha o uso do solo, áreas de preservação e reservas legais, o georreferenciamento estabelece a medição técnica certificada junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária ( Incra ), obrigatório para propriedades acima de 100 hectares.
O avanço regulatório que consolidou o CAR como referência para a base tributável do ITR, somado à vinculação das receitas declaradas no Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR) ao Cadastro de Imóveis Rurais (Cafir/CIB), permitiu a checagem cruzada e instantânea entre capacidade produtiva e faturamento informado.
A engrenagem técnica por trás desse controle foi detalhada ao Money Times por Marcelo Werberich, geógrafo e pesquisador de arquitetura de soluções da Sphere Geotecnologias. Ele afirma que a medição geográfica vai além da simples delimitação visual da fazenda.
“O georreferenciamento não se resume a marcar os limites da propriedade. O profissional habilitado a campo com equipamento de precisão (GNSS/RTK) levanta cada vértice do imóvel em coordenadas geodésicas, seguindo o datum oficial brasileiro (SIRGAS2000). Desse levantamento nasce o memorial descritivo, documento que detalha a poligonal, a área exata e a localização de cada ponto da propriedade.”
É exatamente a padronização geodésica das coordenadas que permite ao Fisco sobrepor diferentes camadas de informação e identificar inconsistências sem a necessidade de auditoria presencial imediata.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.moneytimes.com.br — o conteúdo pertence a Money Times.