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ONG liga PCC a tráfico humano no Camboja, e vítimas apontam uso da facção para intimidação

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ONG liga PCC a tráfico humano no Camboja, e vítimas apontam uso da facção para intimidação

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Um banheiro pequeno, com cabines para privada e chuveiro, além de duas pias. É a primeira visão de quem entra em um dos apartamentos de um conjunto de seis prédios de quatro andares em Phnom Penh, a capital do Camboja .

O restante dos 40 m² é preenchido com duas camas de casal, uma mesa de escritório e uma varanda estreita. Parece uma unidade residencial comum, não fossem as grades e os arames farpados para evitar fugas.

Trata-se do complexo de golpes que a ONG The Exodus Road Brasil, um dos braços da organização americana de mesmo nome, afirma ter conexões com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Enquanto a entidade diz que a facção atua diretamente no país, vítimas de tráfico humano afirmam que o nome do grupo é usado como ferramenta de intimidação.

O espaço era um dos inúmeros do Camboja que reúnem vítimas de tráfico humano de diversas nacionalidades e as forçam a aplicar golpes eletrônicos em pessoas de seus países de origem. A diferença deste espaço é que nele foram identificadas as conexões com o grupo criminoso brasileiro.

A afirmação é da Exodus Road, que também é membro observador do grupo de especialistas em crimes da Interpol e faz parte do comitê de assessoramento de segurança pública do governo do estado de São Paulo .

Para chegar a essa conclusão, a instituição reuniu depoimentos de vítimas que foram resgatadas do complexo cambojano, onde eram mantidas em trabalho forçado sob pena de tortura. Elas contam ter vivenciado uma rotina que as colocou em contato com pessoas associadas ao PCC.

Cintia Meirelles, diretora da operação brasileira da Exodus Road, afirma que os relatos colhidos pela instituição apontam para a atuação de redes transnacionais, o que faz do tráfico humano um crime que precisa ser compreendido como uma engrenagem do crime organizado .

"Essas redes não dependem apenas de força ou violência : elas utilizam sofisticadas técnicas de engenharia social para identificar vulnerabilidades, conquistar a confiança das vítimas e manipulá-las até que estejam sob controle", diz Meirelles, uma das autoras do artigo " Tráfico de pessoas e convergência criminal: o desafio da invisibilidade", no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026.

"Combater o tráfico, portanto, exige compreender como essas organizações pensam, recrutam e operam e interromper essa cadeia antes que a vítima seja capturada."

Reportagem da Folha visitou o Camboja para entender porque o país se tornou o destino de vítimas brasileiras de tráfico de pessoas

A Folha perguntou à Polícia Federal se há informações sobre o envolvimento da facção no crime ou se há alguma investigação em curso que associe o PCC ao tráfico de pessoas, e o órgão respondeu que não comenta nem confirma investigações em curso.

A reportagem também questionou outras organizações de direitos humanos e resgate de vítimas sobre a associação do grupo ao crime.

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