Abelhas perceberam quando o pólen tinha nutrientes fora de equilíbrio e reduziram a comida antes que certos aminoácidos se tornassem um problema
Experimentos revelam como abelhas ajustam a ingestão conforme a composição do pólen e transformam nutrientes dentro da colmeia
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR O pólen é a principal fonte de proteína das abelhas, mas nem toda proteína vegetal oferece os nutrientes nas proporções de que elas precisam. Experimentos publicados em 2026 mostraram que as abelhas ajustam a alimentação conforme o equilíbrio de aminoácidos essenciais , reduzindo a quantidade ingerida quando determinadas proporções ficam desfavoráveis e consumindo mais quando a composição se aproxima das necessidades do próprio organismo.
Pesquisadores analisaram o perfil de aminoácidos essenciais do pólen de 99 espécies de plantas pertencentes a 26 famílias, comparando-o com tecidos de abelhas, pão de abelha e geleia real. Depois, operárias recém-emergidas receberam dietas experimentais durante dez dias.
As abelhas consumiram proporcionalmente mais aminoácidos quando a mistura se aproximava daquela presente em seus próprios tecidos ou em produtos como a geleia real. Dietas baseadas em certos pólens levaram a uma redução tanto da ingestão de aminoácidos quanto da quantidade total de alimento.
Dois grupos chamaram especialmente a atenção. Leucina, isoleucina e valina, conhecidos como aminoácidos de cadeia ramificada, apareciam relacionados de maneira inversa a histidina e arginina. Alterar essas proporções modificou diretamente a quantidade de alimento escolhida pelas operárias.
Quando os aminoácidos de cadeia ramificada estavam relativamente baixos diante de histidina e arginina, as abelhas passaram a ingerir proporcionalmente menos aminoácidos e mais carboidratos. Isso sugere um mecanismo capaz de limitar a exposição a uma composição proteica inadequada.
Este vídeo explica como pólen é armazenado e transformado em pão de abelha dentro da colônia.
As dietas que reproduziam melhor o perfil de aminoácidos das próprias abelhas permitiram maior ingestão e maior ganho de peso. Em alguns tratamentos, a relação entre aminoácidos essenciais e carboidratos consumidos ficou próxima de 1 para 72.
Já dietas inspiradas em pólens de algumas famílias vegetais produziram relações muito mais inclinadas aos carboidratos. Nos tratamentos associados a Fabaceae e Rosaceae, por exemplo, as abelhas consumiram cerca de 1,7 vez menos aminoácidos essenciais do que quando receberam a mistura baseada no próprio perfil corporal.
O estudo publicado na Current Biology mostra que a qualidade proteica depende não apenas da quantidade total de proteína, mas da combinação dos aminoácidos essenciais. Uma deficiência ou excesso relativo pode limitar o aproveitamento de outros nutrientes disponíveis.
As abelhas coletam pólen de diferentes plantas e o armazenam nos favos como pão de abelha, misturado e processado dentro da colônia. Os pesquisadores propõem que essa combinação de fontes pode reduzir parte dos desequilíbrios encontrados quando um único tipo de pólen domina a alimentação.
A geleia real apresentou correspondência ainda maior com o perfil de aminoácidos dos tecidos das abelhas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.