Exportações de ouro do Brasil ao Canadá disparam 52% e levam a recorde no semestre
O comércio entre Brasil e Canadá bateu recorde no primeiro semestre de 2026, impulsionado pela maior demanda global por ouro como ativo de proteção em um cenário de incertezas econômicas e geopolíticas.
Segundo o Quick Trade Facts (QTF), levantamento da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), as exportações brasileiras totais para o mercado canadense somaram US$ 3,67 bilhões entre janeiro e junho, o maior valor já registrado para o período — alta de 8% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
O destaque da pauta exportadora foi o bulhão dourado (ouro bruto para uso não monetário), cujas vendas ao Canadá saltaram 52% na comparação anual, para US$ 2,06 bilhões — valor que respondeu por mais da metade de tudo o que o Brasil exportou ao país no período.
Do lado das importações, o Brasil comprou US$ 1,80 bilhão em produtos canadenses no semestre, avanço de 31% ante 2025.
Com isso, a corrente de comércio bilateral — soma de exportações e importações — somou US$ 5,47 bilhões, alta de 15% na comparação anual, com saldo positivo de US$ 1,88 bilhão para o Brasil.
Ouro como ativo de proteção Para o diretor-presidente da CCBC, Hilton Nascimento, o movimento reflete a força do metal precioso como refúgio em momentos de instabilidade.
“O cenário internacional continua evidenciando as enormes possibilidades comerciais entre Brasil e Canadá.
A demanda por ouro, ativo sempre procurado em cenários desafiadores, cercados de incertezas, como o atual, é um exemplo desse potencial”, afirma Nascimento.
“Ao mesmo tempo, vemos uma pauta que permanece diversificada, com setores tradicionais e industriais contribuindo para esse resultado recorde”, diz o executivo.
Apesar da força do ouro, produtos tradicionais da pauta exportadora brasileira perderam espaço: as vendas de alumina calcinada recuaram 35%, para US$ 572,8 milhões, enquanto café verde e açúcar caíram 14% e 59%, respectivamente.
A queda foi compensada pelo avanço de itens como carne bovina desossada (alta de 321%), máquinas carregadoras (140%) e querosene de aviação (89%).
Balança comercial entre Brasil e Canadá no 1º semestre de 2026 (Fonte: CCBC) Fertilizantes puxam importações do Canadá Na outra ponta, o crescimento das importações brasileiras foi puxado pela reorganização das cadeias globais de fertilizantes, agravada pelas tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã e por entraves em rotas logísticas internacionais.
Com a produção canadense mais estável e menos dependente de insumos do Oriente Médio, compradores brasileiros passaram a diversificar fornecedores em direção ao país norte-americano.
Os fertilizantes seguiram como o principal item da pauta importadora, respondendo por mais da metade do valor total comprado pelo Brasil.
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