Funcionários do aeroporto de Guarulhos participam de esquema que facilita entrada e saída de drogas
Uma investigação da Polícia Federal revelou esquemas operados por funcionários do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, para viabilizar a entrada e a saída de malas carregadas de entorpecentes em voos internacionais.
O monitoramento registrou rotas clandestinas que iam desde o corte de cercas perimetrais e acessos a vestiários até perseguições nas áreas restritas de telhados e casas de máquinas do terminal.
As apurações apontam a cooperação de trabalhadores com crachás de acesso para abastecer aeronaves que deixam o país com destino à Europa e, mais recentemente, para receber cargas enviadas do exterior para o mercado brasileiro.
"Esses funcionários recrutados então levem a droga, façam com que a droga chegue até os aviões que vão seguir do Brasil com destino ao local apontado por essa grande organização criminosa internacional que aguarda a chegada no país de destino", detalha o delegado da Polícia Federal responsável pelas investigações.
O esquema logístico inclui flagrantes recentes de tentativas de fuga dentro das dependências do aeroporto.
Em uma das ocorrências, um eletricista que prestava serviços no local tentou se esconder das câmeras e foi preso pela PF no telhado do terminal com uma mala contendo 33 quilos de cocaína.
Em outro episódio, uma briga física na área do aparelho de raio-x foi provocada pela tentativa de fuga de outro colaborador, minutos após colocar duas malas em um contêiner com destino a Lisboa, fotografar a carga e ser interceptado pelos agentes, que encontraram tabletes de cocaína nas bagagens.
O avanço do 'tráfico reverso' Além da tradicional exportação de cocaína para a Europa, a Polícia Federal identificou uma nova dinâmica criminosa: a remessa de substâncias a partir da Ásia, Europa e América do Norte em direção ao Brasil, modalidade chamada de "tráfico reverso".
"Esse grupo que domina essa logística percebeu que ele poderia ganhar não só na saída da cocaína para o exterior, mas também na entrada do skunk para o mercado interno brasileiro.
Normalmente as apreensões ocorrem de malas que provêm de países onde a comercialização dessa droga é legalizada", explica o delegado.
Uma das vítimas da rota foi a brasileira Gabriele, que viajou a lazer em maio com o namorado para os Estados Unidos e o Canadá.
Em um voo entre os dois países, a bagagem de Gabriele foi extraviada e devolvida apenas 18 dias depois no aeroporto de Toronto.
"Quando eles foram no aeroporto, eles, inclusive, fizeram vídeos olhando para ver se a mala estava perfeita, se tinha sido furtado alguma coisa, e eles não identificaram nenhum problema", afirma a advogada da passageira.
Após retornar ao Brasil com a mala recuperada, a jovem foi surpreendida por uma intimação policial.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1.