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Ibovespa e dólar hoje: bolsa sobe e dólar recua abaixo de R$ 5,40

Por Redação 5News · · com informações de Valor Investe
Ibovespa e dólar hoje: bolsa sobe e dólar recua abaixo de R$ 5,40

Mercados reagem à vitória de Lula com pessimismo entre investidores

O resultado das eleições presidenciais desta semana surpreendeu os investidores brasileiros. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu reverter as expectativas dos agentes econômicos e venceu a disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que era considerado o favorito nos mercados financeiros. A reação não demorou: os índices acionários sofreram queda significativa e as cotações de moeda estrangeira dispararam. Nesta terça-feira, 27 de outubro, os mercados começam um processo de correção e ajuste, mas especialistas alertam que a volatilidade deve se manter enquanto o governo não apresentar medidas concretas de controle dos gastos públicos.

Os números dos mercados nesta terça-feira

O Ibovespa futuro iniciou o pregão de terça-feira com movimento de queda, confirmando uma tendência de ajuste após a forte reação negativa dos últimos dias. O índice abriu com declínio de 0,13%, marcando 178 mil pontos às 9 horas da manhã. Este comportamento reflete a tentativa do mercado de absorver o impacto da eleição inesperada.

A moeda americana, por sua vez, continuou em trajetória de valorização. O dólar comercial abriu com alta de 0,18%, cotado a 5,41 reais. O movimento representa continuidade em relação aos saltos significativos que já tinham ocorrido nos dias imediatamente anteriores. Segundo os dados disponibilizados, foi o maior pico de valorização da moeda americana desde 1999, o que demonstra a magnitude da reavaliação de riscos que os investidores fizeram.

A bolsa de valores brasileira, por sua vez, registrou seu mais acentuado tombo desde 2020, período que coincidiu com os primeiros impactos econômicos da pandemia de COVID-19. A magnitude dessa queda indica como o resultado eleitoral afetou significativamente a confiança dos agentes econômicos.

Por que os investidores temem uma nova gestão Lula

Os analistas do mercado financeiro explicam que existe uma diferença substancial entre as perspectivas econômicas que os investidores atribuem a cada candidato. No caso de Flávio Bolsonaro, que aparecia como favorito entre os agentes econômicos, havia esperança de que sua administração conseguisse finalmente frear o crescimento acelerado da dívida pública brasileira. Embora o senador tivesse apresentado em sua campanha propostas que dificultariam um ajuste fiscal mais profundo, ele era visto como mais alinhado com as preocupações dos investidores sobre controle de despesas.

Com a continuidade de Lula no governo, o cenário que emerge para os investidores é o oposto. A manutenção da atual gestão representa, sob o ponto de vista dos agentes econômicos, um risco ampliado em relação à trajetória das finanças públicas. Isso impacta diretamente as expectativas sobre outros indicadores econômicos: há preocupação de que a inflação permaneça em patamares mais elevados e de que as taxas de juros precisem ser mantidas ou até mesmo elevadas para controlar a estabilidade de preços.

Os investidores entendem que a saída de Lula da presidência abriria um horizonte com menor risco fiscal, possibilitando uma queda na inflação e nas taxas de juros, o que seria positivo para a atividade econômica e para os retornos dos ativos. A continuidade de Lula, portanto, é interpretada como um cenário de maior pressão em múltiplas frentes das contas públicas e da estabilidade monetária.

O papel das medidas fiscais na confiança do mercado

Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, aponta que os próximos passos do governo serão absolutamente determinantes para recuperar a confiança perdida. Conforme sua análise, três elementos principais serão monitorados com atenção pelos investidores: o controle efetivo das despesas públicas, a evolução da relação entre dívida e produção econômica, e a credibilidade das metas fiscais anunciadas pela administração.

Uma possível resposta às preocupações dos agentes econômicos poderia vir através de uma proposta de emenda constitucional que ampliasse o contingenciamento de recursos, permitindo que o governo bloqueie gastos conforme as circunstâncias, e que buscasse cumprir a meta fiscal no meio da faixa permitida pela lei. Conforme Mollo, sinalizações nessa direção demonstrariam a vontade efetiva do novo governo de responder aos questionamentos que marcam o cenário atual.

Além das questões orçamentárias, Mollo ressalta que a composição ministerial será observada atentamente pelos investidores. A escolha dos nomes que ocuparão as principais pastas econômicas gerará estimativas sobre a disposição do governo em lidar com os temas fiscais. Igualmente relevante será a capacidade do executivo em dialogar com um Congresso Nacional que apresenta uma inclinação mais acentuada para a direita, o que será essencial para conseguir apoio político às medidas econômicas necessárias.

Os desafios da formação do próximo governo

Lula enfrenta um quebra-cabeça político complexo na montagem de seu novo governo. É necessário acomodar figuras políticas que apoiaram sua candidatura mas não conseguiram se eleger para o Congresso, além de reconhecer o papel de lideranças que foram estratégicas na reta final da campanha. Simultaneamente, o mandatário precisará negociar com parlamentares e legendas situadas no centro do espectro político para assegurar a governabilidade em um Congresso que se movimenta mais para a direita.

A definição da equipe econômica é particularmente acompanhada. Entre os nomes que circulam para o Ministério da Fazenda está Rafael Fonteles, governador que foi reeleito no estado do Piauí. Fonteles é considerado um técnico com trânsito na área econômica e teve papel de destaque na mobilização que levou ao apoio de Lula durante a campanha. Seu conhecimento econômico é reconhecido por analistas e investidores. Porém, sua transferência para o governo federal teria como obstáculo a dificuldade política de deixar o comando do Estado em mãos de terceiros.

Geraldo Alckmin, vice-presidente eleito, acumula atualmente a função de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Sua atuação no governo será redefinida conforme as necessidades e as decisões de Lula. Uma das possibilidades ventiladas é o fortalecimento de seu papel como interlocutor com o mercado financeiro e com os investidores, função que poderia levá-lo a assumir a pasta da Fazenda.

O que acompanhar

Nas próximas semanas e meses, diversos eventos serão determinantes para a confiança do mercado financeiro. O comportamento do Ibovespa e da cotação do dólar continuará refletindo as expectativas dos investidores sobre a direção das políticas econômicas.

Nesta própria terça-feira, o mercado acompanhará a entrevista do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre o Relatório de Estabilidade Financeira. Essa comunicação pode fornecer sinais sobre como a autoridade monetária está avaliando os riscos para a economia brasileira.

A apresentação formal das proposições de compensação aos compromissos assumidos durante a campanha presidencial será acompanhada com atenção. Os investidores querem ver números concretos e viáveis que demonstrem como o governo pretende pagar suas promessas eleitorais sem deteriorar ainda mais a situação fiscal.

A definição completa da equipe econômica, especialmente a escolha para o Ministério da Fazenda, representará um momento crucial. O mercado avaliará o perfil técnico, a experiência prévia e a capacidade de diálogo político dos escolhidos. Gestores e analistas usarão esses sinais para calibrar suas expectativas sobre as próximas ações governamentais.

A dinâmica de governança que se estabelecer entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional será acompanhada de perto. A capacidade do governo em construir maiorias para suas propostas, especialmente aquelas relacionadas ao ajuste das contas públicas, afetará diretamente a confiança dos investidores. Mudanças no orçamento de 2027 também serão observadas para sinais sobre a priorização de gastos e a disposição de fazer escolhas difíceis.

A volatilidade que caracteriza este momento tende a persistir até que o governo comece a converter seus compromissos em ações legislativas concretas. Somente quando medidas efetivas de consolidação fiscal forem implementadas é que o mercado poderá sinalizar recuperação de confiança.

Principais pontos:

• O Ibovespa futuro abriu com queda de 0,13% em 178 mil pontos na terça-feira, enquanto o dólar comercial subiu 0,18% para 5,41 reais, refletindo ajuste após o resultado inesperado das eleições que reelegeu Lula e surpreendeu investidores que apoiavam Flávio Bolsonaro.

• Investidores temem que a continuidade de Lula aumente os riscos fiscais da economia, mantendo ou elevando as taxas de inflação e juros, em contraste com a expectativa de controle de despesas que tinham em relação ao candidato que perdeu.

• A recuperação da confiança do mercado dependerá da apresentação de medidas concretas de controle de gastos públicos, da definição da equipe econômica e da capacidade do governo em negociar com um Congresso mais inclinado à direita.

• Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, concede entrevista sobre estabilidade financeira nesta terça-feira, enquanto a escolha para o Ministério da Fazenda entre nomes como Rafael Fonteles e Geraldo Alckmin será observada pelos agentes econômicos como sinal da direção das políticas econômicas.

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de Valor Investe — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.

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