Com resultado das urnas, alocação em ações precisa ser tática
A escolha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um novo mandato no Planalto deixou um saldo de perdas para os ativos domésticos no “day after” da decisão.
Investidores, que se posicionaram para a vitória da oposição e uma promessa, ainda que sem detalhes, de ajuste fiscal, saíram machucados.
O Ibovespa caiu 13,9%, o dólar ganhou 8,2% e ficou acima de R$ 5,40, enquanto as taxas de juros futuras dispararam.
Foi um combo que levanta dúvidas sobre o espaço que o Banco Central terá para prosseguir com o ciclo de corte da Selic, hoje em 13,75% ao ano.
“O universo de alocação na renda variável passa a ter uma visão muito mais tática”, afirma Raphael Figueredo, estrategista de ações da XP, que participou de uma live com investidores.
Quem começava a se deslocar para um ambiente de queda de juros estrutural, vê esse cenário em suspenso.
Figueredo lembra que no início do ano foi o fluxo estrangeiro que ditou a expansão dos múltiplos da bolsa, muito guiado por commodities e o cenário global.
Esse é um capital que privilegia as ações de primeira linha do Ibovespa e de maior liquidez.
Após o primeiro turno, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) saindo com vantagem das urnas, a reação foi uma queda das taxas futuras que incentivou a compra de ações mais cíclicas, ligadas à atividade doméstica.
A distância entre o Ibovespa e as empresas de menor capitalização no índice de “small caps” diminuiu.
“A percepção era que tinha muito terreno para construir ao longo do tempo.” Agora, essa estratégia foi revista.
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