Namorado de Sandy faz alerta sobre doença de Lito Sousa: 'Efeito dominó'
O diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) recebido por Lito Sousa , especialista brasileiro em aviação conhecido pelo canal Aviões e Músicas , no YouTube , chamou a atenção para uma condição que, apesar de extremamente rara, desperta grande interesse entre pesquisadores. A doença afeta o cérebro e pode provocar uma deterioração neurológica muito rápida.
Mas o que acontece no organismo de uma pessoa com DCJ? Por que a doença evolui dessa maneira? E o que a ciência está fazendo para tentar encontrar respostas?
O médico e pesquisador Pedro Andrade explica que a doença está relacionada a um mecanismo diferente daquele observado na maioria das doenças infecciosas.
"Quando pensamos em doenças transmissíveis, pensamos em vírus, bactérias, fungos ou parasitas. Na doença de Creutzfeldt-Jakob, o protagonista pode ser simplesmente uma proteína."
Para entender a doença, é preciso conhecer a proteína chamada PrP, produzida a partir do gene PRNP e encontrada principalmente no sistema nervoso. Normalmente, as proteínas precisam assumir uma determinada estrutura para desempenhar suas funções. Na doença priônica, uma dessas proteínas passa a apresentar uma conformação diferente.
"A proteína mal dobrada encontra uma proteína normal e favorece que ela também mude de forma. Esta encontra outra. Depois outra" , afirma o médico.
Com o acúmulo das proteínas anormais, os neurônios passam a perder suas funções e morrem. Esse mecanismo ajuda a explicar por que a DCJ pode apresentar uma evolução tão acelerada.
A DCJ acomete aproximadamente uma ou duas pessoas a cada milhão por ano. Segundo Pedro Andrade , existem diferentes formas de a doença se desenvolver. Em uma pequena parcela dos casos, há uma alteração genética no PRNP que pode ser transmitida entre gerações. Também existem formas adquiridas extremamente raras, historicamente relacionadas a determinados procedimentos médicos, além da variante associada à chamada doença da vaca louca. No entanto, a maioria dos casos não segue esses caminhos.
É justamente nesses casos que a ciência encontra uma das maiores dificuldades para explicar a origem da doença.
"Nessas pessoas, geralmente não encontramos uma mutação hereditária que explique a doença. Não encontramos uma fonte conhecida de contaminação. Muitas vezes não existe histórico familiar."
Ainda assim, em algum momento, pode ocorrer uma alteração na conformação da proteína, dando início à reação em cadeia.
A DCJ esporádica ocorre principalmente na segunda metade da vida, com maior incidência em pessoas mais velhas. Essa característica levanta uma questão importante para a ciência.
"Por que uma proteína que funcionou durante 40, 50 ou 60 anos começaria a se comportar de maneira diferente justamente então?"
Ainda não existe uma resposta definitiva. Porém, o envelhecimento também modifica a capacidade do organismo de manter suas proteínas funcionando adequadamente.
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