Eleições e cenário fiscal afastam investidor estrangeiro
A proximidade das eleições e o cenário de juros estão mudando a percepção dos investidores estrangeiros sobre o Brasil.
Neste mês, a bolsa já registrou uma saída de cerca de R$ 15,6 bilhões em capital estrangeiro, embora o saldo acumulado no ano ainda permaneça positivo.
O movimento ocorre em um momento de atenção redobrada ao cenário econômico brasileiro.
A perspectiva de redução da taxa Selic no Brasil, combinada à possibilidade de uma trajetória diferente nos Estados Unidos, pode reduzir a atratividade dos ativos brasileiros para o investidor estrangeiro.
Para Thiago Godoy, apresentador do Resenha do Dinheiro, a movimentação recente está relacionada ao chamado diferencial de juros, que compara a remuneração oferecida pelos investimentos em diferentes países.
“O diferencial de juros é importante porque parte do capital estrangeiro que chega ao país busca justamente a remuneração proporcionada pelas taxas brasileiras.
Quando essa vantagem diminui, o investidor pode reconsiderar a exposição a um mercado considerado mais arriscado”, analisa Godoy.
Essa entrada de capital vem muito do interesse do investidor estrangeiro em ganhar o percentual de juros do Brasil.
Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, destaca que o movimento registrado no início do ano chegou a beneficiar também o investidor brasileiro.
“O investidor estrangeiro deu um grande presente para o investidor brasileiro no começo desse ano porque tinha acumulado R$ 56 bilhões de entrada.
E, com esses R$ 56 bilhões, a bolsa brasileira bateu mais de 180 mil pontos”, afirma.
Nesse cenário, a entrada de capital estrangeiro também abriu espaço para investidores brasileiros que pretendiam reduzir sua exposição à Bolsa diante da aproximação das eleições.
Marilia pondera ainda que a posterior saída dos estrangeiros também mostra que parte desse capital tinha uma estratégia mais tática, e não necessariamente uma visão de longo prazo sobre o Brasil.
“Com toda essa situação que o Brasil está enfrentando de incerteza fiscal, eleições, taxa de juros elevada, o investidor não poderia ser de longo prazo”, avalia.
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