O jogo pesado de Kushner: um dia com o Hamas, outro com Netanyahu
Benjamin Netanyahu era tão próximo da família de Jared Kushner que um dia o jovem precisou ir dormir no porão para que o político israelense passasse a noite em seu quarto.
Hoje, o genro do presidente Donald Trump precisa forçar a mão do primeiro-ministro com mil malabarismos para conseguir tirar do papel um plano, em princípio, simplesmente irrealizável: fazer o Hamas se desarmar e entregar o governo de Gaza a uma entidade neutra, em troca da retirada das forças israelenses das áreas do território que continua a ocupar e da reconstrução do território.
Dessa nova fase do plano depende o avanço real rumo a uma pacificação verdadeira.
Por qualquer critério, é completamente impossível.
Mesmo enfraquecido, como o Hamas abriria mão de sua própria razão de existir, que é a resistência armada a Israel? E como Israel vai entregar territórios que podem voltar a ser usados como base para novos ataques ao estilo do que matou 1.
200 pessoas em 7 de outubro de 2023.
Bons negociadores têm que fechar os ouvidos à palavra impossível.
É isso que Kushner tem feito.
O processo inclui até uma moderada troca de elogios com o Hamas, com quem se reuniu no Egito durante o fim de semana.
O que ofereceu? Pragmatismo.
Informou uma fonte do site Axios: “Kushner disse a eles que não há espaço para negociação na questão do desarmamento, mas se eles fizerem avanços reais, os Estados Unidos farão o máximo para que Israel tome medidas recíprocas”.
É uma promessa arriscada: por mais que os americanos tenham instrumentos para influenciar Israel, não têm poderes mágicos.
As pressões por concessões pegam muito mal em Israel, em todas as esferas políticas, não apenas nos setores identificados com Netanyahu.
E o primeiro-ministro tem uma eleição a enfrentar em 27 de outubro.
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