Rússia prende quem reclamam da falta de combustível nos postos do país
A crise de combustível na Rússia levou a detenções de moradores que denunciaram postos sem gasolina e à imposição de limites de compra em Moscou. As informações são do The Independent.
Policiais detiveram cinco moradores de Volgogrado após eles gravarem um apelo sobre a falta de combustível nos postos. O grupo questionava por que autoridades locais usavam cartões de prioridade para abastecer enquanto as bombas destinadas ao público estavam vazias.
Autoridades russas classificaram a gravação como uma reunião pública não autorizada e aplicaram multas aos participantes. O advogado Alexei Sevastyanov recebeu cinco dias de detenção, sob acusação de resistir à polícia, e criticou a medida ao site local V1.ru: "Acho simplesmente absurdo intimidar pessoas dizendo que gravar um apelo em vídeo exige aprovação de alguma administração."
Moscou e cidades da região metropolitana voltaram a limitar a venda entre 50 e 60 litros por veículo. Em pelo menos 12 regiões, motoristas enfrentam filas e esperas de até 30 horas, enquanto vídeos mostram brigas em postos por causa da escassez.
Drones ucranianos tiraram de operação quase um terço das principais refinarias russas desde o início de agosto. Ataques recentes incendiaram uma unidade de processamento em Bashkortostan e paralisaram uma grande refinaria em Orsk, onde os reparos podem levar até seis meses.
A Rússia processou 3,6 milhões de barris de petróleo bruto por dia em julho, o menor volume desde maio de 2000. O resultado ficou um terço abaixo da média sazonal e afetou o abastecimento de cerca de 50 milhões de pessoas.
O ministro da Energia, Sergei Tsivilyov, reconheceu as filas, mas afirmou que o diesel ainda pode ser encontrado "em todos os lugares". Katia Glod, vice-chefe de política externa do New Eurasia Strategies Centre, diz que a Rússia também importa combustível do Azerbaijão e busca usar refinarias do Cazaquistão.
O governo russo ampliou proibições de exportação, importou estoques de gasolina da Índia e reduziu padrões para permitir o combustível Euro-2, banido desde 2013. Para Glod, a crise representa o maior desafio interno de Vladimir Putin desde o início da guerra contra a Ucrânia.
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