Bancos veem alta no custo de captação com possível tributação de LCI e LCA
Executivos de bancos privados afirmaram nesta segunda-feira (17) que a possível tributação das letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA), se confirmada, elevará o custo de captação das instituições financeiras e tende a ser repassada ao tomador do financiamento.
A avaliação foi apresentada durante debate sobre financiamento imobiliário na conferência anual do Santander.
Segundo o diretor de Crédito Imobiliário do Bradesco, Romero Albuquerque, a tributação levaria os investidores a exigir remuneração maior para aplicar em LCIs.
Ele afirmou que, atualmente, o instrumento tem custo abaixo da Selic por conta da isenção tributária e projetou aumento no custo do crédito imobiliário caso a mudança avance.
A mesma avaliação foi apresentada pelo diretor de Negócios Imobiliários do Santander, Paulo Duailibi.
De acordo com o executivo, a expectativa é de aumento no custo de emissão das letras, o que, na visão dele, reforça a importância de manter a isenção.
Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural! Duailibi afirmou ainda que as LCIs vêm ampliando participação como fonte de recursos para o crédito imobiliário, em um cenário de redução da disponibilidade de recursos das cadernetas de poupança.
Segundo ele, o estoque de LCIs superou R$ 500 bilhões e já responde por cerca de 20% do funding do setor.
O executivo do Santander também defendeu o reequilíbrio das contas públicas como caminho para reduzir juros e o custo do funding de forma geral.
Na avaliação dele, a poupança perde espaço de forma estrutural e o mercado deve depender cada vez mais de funding de mercado.
Duailibi acrescentou que juros elevados encarecem as parcelas dos financiamentos e reduzem o público enquadrado para contratação.
Em julho, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que, em caso de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo deverá retomar os estudos sobre o fim da isenção de LCIs e LCAs.
Segundo ele, a proposta foi defendida por sua equipe e pelo antecessor na pasta, Fernando Haddad, com o objetivo de corrigir distorções de mercado.
A discussão sobre o fim da isenção de LCI e LCA recoloca no centro do debate o custo de captação dos bancos e o efeito da medida sobre as linhas de financiamento lastreadas nesses instrumentos.
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