Israel investe em indústria bélica nacional e pressiona por alistamento de ultraortodoxos
A Semana na Imprensa Israel investe em indústria bélica nacional e pressiona por alistamento de ultraortodoxos Publicado em: 15/08/2026 - 12:13
Ouvir - 01:50 As edições semanais das revistas francesas abordam diferentes aspectos de Israel. L'Express trata da questão militar e L'Obs traz uma reportagem sobre os enclaves ultraortodoxos.
Segundo a revista L'Express , o governo israelense está articulando um plano estratégico para reduzir sua dependência militar histórica dos Estados Unidos, prevendo um investimento de mais de € 90 bilhões nos próximos dez anos para fortalecer sua indústria nacional de defesa.
Essa mudança de postura ocorre em um momento de desgaste diplomático , no qual apenas 16% da opinião pública americana apoia o envio incondicional de armas para o país. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tem enfatizado que o futuro de Israel depende de sua própria força e de um sistema de produção de armamentos independente.
Embora Israel continue dependente de tecnologias de ponta que não consegue fabricar, como os caças F-35 ou submarinos alemães, o país busca autonomia total na produção de munições, bombas de alta potência e drones.
A reportagem de L’Express destaca que a relação com Washington está evoluindo para uma "Aliança 2.0" por meio de projetos como a "seção 224", que prevê uma integração profunda entre os complexos militares-industriais em áreas como inteligência artificial, computação quântica e fusão de dados de inteligência.
Esse novo modelo de cooperação visa garantir a superioridade constante de Israel frente aos seus inimigos, mesmo diante de possíveis restrições políticas nas entregas de material bélico convencional.
Já a reportagem da L'Obs mergulha nas tensões internas da sociedade ao retratar os enclaves ultraortodoxos (Haredim), que vivem em uma realidade à parte e resistem ferrenhamente ao serviço militar. Com uma taxa de fecundidade de mais de seis filhos por mulher, essa comunidade representa hoje 14% da população, mas pode chegar a um quarto dos israelenses até 2050.
Em bairros como Mea Shearim, a vida é regida pela observância estrita da lei judaica, sem smartphones ou televisão, e o foco principal dos homens é o estudo dos textos sagrados em detrimento da integração econômica ou social.
Essa resistência à conscrição, herdada de 1948, foi invalidada pela Suprema Corte em 2024, gerando um impasse com as Forças de Defesa de Israel (Tsahal), que enfrentam escassez de soldados em meio aos conflitos atuais.
A questão é explosiva para o governo, pois os partidos ultraortodoxos na Knesset possuem um peso político crescente e ameaçam derrubar a coalizão de Netanyahu caso seus membros sejam forçados a servir. Enquanto isso, a comunidade lida com altos índices de pobreza (34% das famílias) e uma estrutura social em que 80% das mulheres trabalham para sustentar os lares, enquanto a maioria dos homens se dedica exclusivamente à vida religiosa.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.