Terceiro acidente ferroviário do ano na Espanha levanta questões sobre investimento em infraestrutura
No primeiro dia de luto nacional na Espanha, após o terrível acidente ferroviário em Urda, na província de Toledo, a busca por respostas sobre as causas continua. O incidente levanta questões a respeito de investimentos em infraestrutura e segurança para o setor no país. Em meio às investigações, o número de vítimas fatais aumenta: agora são pelo menos 69, segundo um balanço provisório mais recente.
A colisão aconteceu na manhã de quarta-feira (28) , quando um trem da estatal Renfe, que partiu de Madri rumo a Sevilha, se chocou com a parte traseira de uma composição da empresa Iryo que estava parada na via, a cerca de 150 quilômetros ao sul da capital.
Este é o terceiro acidente ferroviário registrado na Espanha desde o início do ano, e o segundo a ocorrer na linha que liga Madri a Sevilha. Embora a questão da manutenção das linhas seja levantada, ela está longe de encerrar o debate.
Após a catástrofe de Adamuz, que deixou 46 mortos e 150 feridos em janeiro , diversos relatórios já haviam apontado deficiências. Em março, o Instituto de Estudos Econômicos (IEE), um think tank próximo ao setor empresarial espanhol, publicou um relatório destacando a grave falta de recursos voltados para a infraestrutura do país.
Trata-se de um déficit de investimento estimado em € 55 bilhões, que não se limita apenas ao setor ferroviário.
Na verdade, a Espanha investiu muito nos últimos 30 anos para desenvolver suas linhas de alta velocidade. Atualmente, sua rede estende-se por quase 4 mil quilômetros. "É a segunda maior do mundo, bem atrás da China e logo à frente da França", confirma Arnaud Aymé, especialista em transportes da consultoria Sia.
A primeira linha de alta velocidade do país, ligando Madri a Sevilha, foi inaugurada em abril de 1992, por ocasião da Exposição Universal de Sevilha, e, desde então, não parou de se expandir. "É uma rede muito utilizada, especialmente graças à liberalização ferroviária (abertura do setor à iniciativa privada), que permitiu a entrada de diversas operadoras de transporte", acrescenta Arnaud Aymé.
Em seu relatório, o IEE destaca que o número de passageiros nas linhas de alta velocidade na Espanha dobrou entre 2015 e 2024, mas as despesas com manutenção não acompanharam esse crescimento. Se comparados com o número de passageiros, esses gastos chegaram a cair mais de 27% no mesmo período.
Ciente do problema, o governo havia destinado € 16 bilhões para o setor já em 2023. Após a tragédia de Adamuz, o Executivo reforçou seu plano de manutenção ferroviária com um aporte adicional de quase € 2 bilhões.
"Não há um consenso de que a rede ferroviária de alta velocidade espanhola sofra com subinvestimento", ressalta Arnaud Aymé. "E, mesmo que esse fosse o caso, a existência de subinvestimento não implica, necessariamente, falta de segurança.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.