Quando a fé substitui a evidência na emergência médica
Defender um modelo é legítimo.
Afirmar a sua superioridade sem dados que a demonstrem não é.
Há uma pergunta que deveria ser obrigatória em qualquer debate sério sobre emergência médica: onde estão os dados que provam que este modelo funciona melhor? A discussão sobre um modelo de emergência médica baseado na presença de médicos parece, por vezes, começar pela conclusão e só depois procurar argumentos que a sustentem.
A questão não é saber se os médicos são importantes – obviamente que são.
A questão é saber se a sua presença, enquanto opção estrutural de um modelo, produz efetivamente melhores resultados para os doentes.
Se a resposta é sim, então deve ser possível demonstrá-la.
Estudos comparativos, resultados clínicos, tempos de resposta, mortalidade, morbilidade, capacidade de resolução, segurança, eficiência e impacto nos doentes são alguns dos indicadores que deveriam sustentar essa afirmação.
Dizer que um modelo “é melhor” não o torna melhor.
Repeti-lo numa conferência, num comunicado ou numa entrevista também não.
Invocar a experiência ou a autoridade de profissionais respeitados pode ser relevante, mas não substitui a evidência científica.
E dizer que “sempre foi assim” é uma explicação histórica, não uma demonstração de eficácia.
A ciência tem uma característica incómoda: obriga a medir.
E medir significa aceitar que os resultados podem confirmar as nossas convicções – ou contradizê-las.
É perfeitamente legítimo defender a presença de médicos na emergência.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.