Tragédia anunciada
Um rapaz de 15 anos matou a mãe com um golpe de mata-leão.
A notícia recebida assim, sem mais detalhes, leva-nos a questionar de que monstro se trata.
Só um monstro pode matar a própria progenitora assim, com tamanha violência, certo? Um dia depois, no entanto, a notícia ganha novas camadas.
Ficamos a perceber que aquele monstro era, afinal, um adolescente que, tal como uma pequena irmã de 4 anos, era vítima de maus-tratos continuados, físicos e psicológicos.
Mais: já por diversas vezes tinha denunciado esses maus-tratos às autoridades.
E, de repente, torna-se difícil não sentir alguma empatia para com o monstro inicial desta história.
Culpe-se a mãe? Afinal, que espécie de monstro é este que violenta, ameaça e tortura repetidamente os filhos? Só que, mais uma vez, há novas camadas por descobrir.
E esta mãe, agressora e violenta, era também ela vítima de agressões e violência.
Foi-o durante anos, de um marido que de tanto que lhe fez acabou preso preventivamente, encontrando-se à espera de julgamento, acusado de violência doméstica e violação agravada.
Esta é uma jovem mãe que deu à luz o filho que a matou quando tinha apenas 18 anos e, aos 33, se viu sozinha com duas crianças, deslocada do seu país, sem apoio familiar e com traumas de uma longa vida de violência para lidar.
E, mais uma vez, torna-se difícil não sentir alguma empatia também com a história deste “monstro”.
Esta era, convenhamos, uma família desgraçada, uma tragédia iminente que se fazia anunciar a cada dia, uma tempestade perfeita à espera de acontecer.
E, pior do que tudo, aparentemente todos o sabiam.
Autoridades policiais, Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, Tribunal de Família e Menores… E ainda assim a tragédia anunciada aconteceu mesmo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.