Madrid prepara-se para receber GP perante queixas
O novo circuito da Fórmula 1 em Espanha está a gerar críticas dos moradores de Madrid e grupos ambientalistas, que acusam as autoridades espanholas de “ colocar os lucros acima das pessoas “. As queixas ganharam força após os primeiros testes de Fórmula 3 no percurso, que revelaram níveis de ruído muito acima daquilo que é legalmente permitido.
O circuito de Madring, situado a nordeste da capital espanhola, em Barajas, começou a ser construído em abril de 2025. O governo regional de Madrid espera que a empreitada, que representou um investimento de 83,2 milhões de euros , estimule a economia da cidade ao trazer turistas à região. Além disso, a expetativa principal é que o circuito volte a colocar a capital espanhola no “centro do mapa” do automobilismo.
No entanto, de acordo com o The Guardian , os exercícios recentes na pista do circuito, realizados no contexto de testes oficiais do Campeonato de Fórmula 3 da FIA, têm preocupado os habitantes da cidade, que equacionaram avançar com medidas legais contra o recinto e o ruído que se faz sentir nas redondezas.
De acordo com dados da associação “Stop F1 Madrid” , os moradores da freguesia vizinha de Hortaleza registaram, ainda que não de forma oficial, níveis médios de ruído de 102,7 decibéis (dB), com o máximo a situar-se entre 107,7 e 109,1 dB, bem acima do limite legal permitido na cidade, de 35 dB . Segundo a Agência Europeia do Ambiente, qualquer exposição a níveis acima de 55 dB é considerada prejudicial à saúde humana, e, em caso de exposição prolongada, existe um risco de aumento de doenças cardiovasculares.
Em declarações ao The Guardian, Antonio Ibáñez, um dos porta-vozes do movimento que contesta o circuito de Madring, avançou que, além de casos de pessoas que disseram não conseguir trabalhar durante os testes, existem casos de famílias com crianças neurodivergentes que tiveram de abandonar temporariamente Barajas , a zona da cidade onde o circuito está a ser construído, para diminuir o impacto do ruído.
No mesmo sentido, o porta-voz da plataforma, Constantino Blanco, citado pelo El País , defende que os moradores estão cansados de sofrer as consequências da realização do evento, que foi declarado “incompatível” com a área no início de 2025, segundo um relatório da Comunidade de Madrid. Tanto as autoridades regionais como as municipais concordaram de forma unânime que a realização do evento “ excederia os níveis de ruído permitidos pela legislação municipal “.
Ao contrário das expetativas do governo local do aumento de turismo e número de pessoas esperado para a ocasião, o movimento acredita que este fluxo de pessoas irá colocar uma “pressão enorme” nos transportes públicos da cidade , bem como no distrito de Barajas. Ibáñez acredita que um circuito de Fórmula 1 em plena malha urbana é “uma ideia absurda”.
Perante a contestação, as autoridades locais e regionais estão a tentar tranquilizar os moradores. Borja Carabante, vereador madrilenho com os pelouros de Planeamento Urbano, Mobilidade e Ambiente, afirmou que várias medidas estão em prática para reduzir o ruído no evento (como barreiras sonoras) que se irá realizar de 11 a 13 de setembro .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.