Jorge Jesus, blindado pelos amigos para fintar o fogo das bancadas
Retrato é uma rubrica do ECO na qual, durante o mês de agosto, é publicado diariamente o perfil de uma personalidade que se distinguiu no último ano, em Portugal Na Rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa, Jorge Jesus não precisa de escolher a mesa.
No Solar dos Presuntos, Pedro Cardoso sabe o que lhe há de pôr à frente : cabeça de garoupa cozida ou peixe grelhado, pudim flan para sobremesa e, sobretudo, pouca conversa sobre futebol quando o resultado correu mal.
Jesus frequenta a casa há mais de três décadas.
Quando vivia fora de Portugal, a primeira paragem depois de aterrar era muitas vezes o restaurante de Evaristo Cardoso (cozinheiro da Seleção Nacional durante mais de duas décadas) e Maria da Graça Cardoso.
Ali sentaram-se Eusébio, Rui Costa, Jorge Mendes, Frederico Varandas — fotografado ao lado de Jesus num jantar antes de um jogo europeu do Sporting — e tantas outras vedetas do desporto e da sociedade portuguesa.
Jorge Jesus é o novo selecionador de futebol de Portugal Ler Mais Para o novo selecionador nacional, o Solar funciona como um ponto de encontro com uma vida que não depende de contratos, resultados ou conferências de imprensa.
Essa lealdade a rostos antigos atravessa também a sua equipa de trabalho, ainda que nem sempre de forma permanente.
Miguel Quaresma, que conheceu ainda nas camadas jovens e levou consigo para o Benfica, o Sporting e depois para o Al Hilal, deixou de ser seu adjunto em dezembro de 2018, quando regressou a Portugal juntamente com Raul José, meses antes de Jesus abandonar o clube saudita.
A separação não apagou os anos de trabalho conjunto, mas mostra que nem todas as parcerias de Jesus resistem indefinidamente , ao contrário do que a imagem pública de “núcleo duro” sugere.
E na estreia como selecionador nacional, o técnico voltou a rodear-se de gente da sua confiança, com nomes como João de Deus a integrar uma comissão técnica escolhida a dedo.
Longe da fúria dos bancos e dos títulos, Jorge Jesus encontra na família a sua bússola moral e nos amigos de sempre o refúgio seguro.
Foi por honrar os pais e proteger os seus que moldou as decisões mais marcantes da vida.
LUSA/EPA/SEDAT SUNA Mas antes da Seleção e de qualquer título, houve o Amora Futebol Clube.
Jesus tinha 35 anos e ainda calçava as botas no Almancilense quando, em 1989, num jogo disputado em Almancil com o clube da margem sul, que terminou empatado a três golos, Mário Rui, presidente do Amora e talhante de profissão, após o jogo, convidou-o para treinar o Amora, na altura a disputar a 3.ª divisão.
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