Análise. Mercados reféns do Médio Oriente
Os mercados financeiros voltaram a ser condicionados esta semana pelas tensões no Médio Oriente, numa altura em que o impasse nas negociações entre os Estados Unidos e o Irão ameaça prolongar as perturbações no Estreito de Ormuz.
Donald Trump anunciou uma nova campanha de pressão económica contra Teerão, enquanto os Emirados Árabes Unidos suspenderam as relações comerciais e financeiras com o país.
O agravamento das tensões levou o Brent a aproximar-se dos 95 dólares por barril, reacendendo os receios de que a subida dos preços da energia volte a alimentar a inflação.
Este cenário dificulta o trabalho da Reserva Federal e poderá pesar sobre os mercados acionistas, em particular sobre o Nasdaq, dada a maior sensibilidade das empresas tecnológicas aos custos de financiamento.
As minutas da última reunião da Reserva Federal, publicadas na quarta-feira, reforçaram estas preocupações.
Embora a taxa de referência tenha sido mantida entre 3,50% e 3,75%, o documento revelou que vários responsáveis estavam dispostos a subir os juros já em julho, enquanto outros admitiram que um novo aumento poderá ser necessário caso a inflação continue acima do objetivo de 2%.
A posição da Fed permanece, assim, condicionada pela evolução dos preços da energia e pela persistência das pressões inflacionistas, mesmo numa altura em que alguns indicadores económicos começam a apontar para um abrandamento.
Em sentido contrário, o anúncio de que o Tesouro norte-americano vai duplicar as recompras de obrigações de longo prazo fez recuar as yields e pressionou o dólar.
Apesar de se tratar de uma operação relativamente pequena face à dimensão do mercado obrigacionista, a decisão tem um peso simbólico, ao sugerir uma maior preocupação das autoridades com a subida dos custos de financiamento.
O ouro reagiu com uma valorização superior a 3%, enquanto a bitcoin subiu cerca de 11% e ultrapassou os 70.000 dólares, depois de vários meses a negociar em torno dos 60.000.
A evolução dos mercados nas próximas semanas dependerá, em grande medida, do equilíbrio entre o risco geopolítico, a persistência da inflação e a capacidade das autoridades norte-americanas para conter a pressão sobre as taxas de longo prazo.
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