Taiwan pede à China fim de "perseguições políticas" após condenação de organizadores de vigília de Tiananmen
Taiwan apelou esta sexta-feira à China para que "cesse as perseguições políticas", após um tribunal de Hong Kong ter considerado culpados de "incitamento à subversão" dois ativistas pró-democracia e organizadores de vigílias em memória de Tiananmen.
O Conselho para os Assuntos Continentais, o organismo de Taiwan responsável pela política em relação à República Popular da China, "manifestou o seu profundo pesar e profunda tristeza" em reação às condenações e apelou ao Partido Comunista Chinês e ao Governo de Hong Kong para que "libertem imediatamente as pessoas detidas neste processo".
Dois ativistas pró-democracia e organizadores de vigílias em memória de Tiananmen foram declarados culpados de "incitamento à subversão" hoje em Hong Kong, no final de um julgamento criticado pelos defensores dos direitos como um novo sinal de erosão das liberdades no território.
Lee Cheuk-yan, de 69 anos, e Chow Hang-tung, de 41 anos, lideravam a Aliança de Hong Kong, um grupo atualmente dissolvido que organizava vigílias anuais no Parque Victoria.
Foram declarados culpados hoje de terem "incitado outras pessoas a organizar, planear, cometer ou participar em ações por meios ilegais com vista a derrubar o poder do Estado", segundo um comunicado de imprensa entregue aos jornalistas.
A leitura da sentença é esperada para uma data posterior, sendo que os argumentos dos arguidos deverão ser ouvidos na próxima semana, de acordo com o juiz Alex Lee, que presidia ao coletivo composto por três juízes.
Segundo estes, o facto de os dois arguidos terem continuado a exigir o "fim do regime de partido único" após a entrada em vigor da lei da segurança nacional constitui uma violação da constituição chinesa, mesmo que "nunca tenham recorrido ou promovido a violência".
Os arguidos "pretendiam danificar a confiança no PCC (Partido Comunista Chinês) ao incitar à hostilidade e ao semar a divisão", acrescentaram.
Os ativistas arriscam até 10 anos de prisão.
Detidos desde a sua acusação em 2021, permaneceram sentados em silêncio enquanto os juízes proferiam a decisão.
Um terceiro ativista, Albert Ho, de 74 anos, é também processado, mas declarou-se culpado, o que abre a porta a uma redução da pena.
A entiga sindicalista e esposa de Lee Cheuk-yan, Elizabeth Tang Yin-ngor declarou à imprensa estar "furiosa" por não achar "que ele seja culpado".
"Espero que o ambiente melhore, que flores de todas as cores possam desabrochar", desejou a mãe de Chow, Medina Chow Lau Wah-chun.
"É uma ameaça inegável, a Aliança de Hong Kong empenhou-se durante anos em semar o ódio contra o Partido Comunista Chinês e o Governo central no seio da população de Hong Kong", saudou, por seu lado, Steve Li, superintendente sénior do Departamento de Segurança Nacional da polícia.
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