O que a reforma da legislação farmacêutica muda? Toda a lógica do mercado
O pacote farmacêutico europeu muda a lógica económica do mercado do medicamento.
Redesenha todo o ciclo de vida, da autorização de introdução no mercado à proteção regulamentar, da entrada de genéricos à gestão de ruturas.
“O EU Pharma Package é a reforma mais ambiciosa e abrangente da legislação farmacêutica da União Europeia nos últimos vinte anos”, resume Francisca Paulouro, sócia da VdA, ao Jornal Económico (JE).
A proposta foi apresentada pela Comissão Europeia em abril de 2023, o acordo político entre Parlamento Europeu e Conselho foi alcançado em dezembro de 2025 e os textos de compromisso foram publicados em março de 2026.
A adoção formal deverá ocorrer até ao final deste ano.
A aplicação será decretada mais tarde, mas o tempo para empresas, reguladores, hospitais e Estados se prepararem escasseia.
A primeira alteração está nos incentivos.
A nova legislação mantém oito anos de proteção de dados, mas reduz de dois para um ano o período subsequente de proteção de mercado.
Esse prazo pode voltar a aumentar se o medicamento responder a uma necessidade médica não satisfeita, cumprir requisitos ligados a ensaios clínicos comparativos e apresentação prioritária na União Europeia, ou obtiver uma nova indicação terapêutica com benefício clínico significativo.
“A proteção de mercado poderá assim atingir três anos e o período global de proteção regulamentar um máximo de 11 anos”, explica Ricardo Rocha, advogado principal da Abreu Advogados.
A reforma tenta equilibrar dois objetivos que raramente convivem sem tensão: premiar a inovação e acelerar o acesso.
Para a indústria de investigação, o ponto crítico é a previsibilidade do retorno.
Para os sistemas de saúde, é a entrada de concorrência quando termina a proteção.
Quem desenvolver medicamentos em áreas de maior necessidade clínica poderá ser premiado.
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