Separar o essencial do acessório
I.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou esta quarta-feira no Parlamento que o narcotráfico é hoje a maior ameaça à segurança nacional.
A conclusão baseia-se no Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) e deve ser encarada com seriedade, separando o essencial do acessório.
O narcotráfico alimenta a pequena criminalidade, os furtos, os roubos, a violência gratuita e até homicídios.
O impacto nas comunidades é direto e visível.
A sensação de insegurança que muitos cidadãos relatam, em bairros da capital e de outras cidades, está profundamente ligada a este fenómeno, além das inúmeras vidas destruídas pelo consumo de estupefacientes.
"Estamos perante um negócio global que movimenta muitos milhares de milhões de euros e que usa Portugal como uma das principais portas de entrada na Europa." Mas há uma razão ainda mais decisiva para que o narcotráfico seja considerado a principal ameaça à segurança nacional.
Estamos perante um negócio global que movimenta muitos milhares de milhões de euros e que usa Portugal como uma das principais portas de entrada na Europa.
Os cartéis, para poderem sobreviver e prosperar, evoluíram para organizações altamente estruturadas, comparáveis a qualquer multinacional de sucesso, com a óbvia diferença de que o seu negócio é o crime organizado.
E quando estas redes se instalam num país, não trazem apenas violência.
Trazem sobretudo criminalidade de colarinho branco: corrupção de políticos, funcionários, agentes da lei e magistrados; infiltração em setores estratégicos da economia; branqueamento de capitais com a colaboração de aliados na banca, na advocacia e na consultoria.
Podem, inclusive, infiltrar-se nos partidos políticos.
Depois de se enraizarem num país, torna-se muito difícil combatê-las.
Foi o que aconteceu na Holanda, país onde as máfias se enraizaram e passaram a desafiar o próprio Estado de Direito.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.