Deloitte terá ajudado Abramovich a esconder fortuna com documentos falsificados
A Deloitte, uma das chamadas big four , terá ajudado Roman Abramovich a ocultar a sua fortuna através de documentos falsificados , revela uma investigação da BBC Panorama e do Bureau of Investigative Journalism.
Enquanto o oligarca russo nega quaisquer irregularidades, a auditora garante ter agido em conformidade com as leis.
De acordo com esta investigação, avançada pela BBC, as contas aprovadas pela Deloitte no Chipre fizeram desaparecer dos registos da empresa de Abramovich património avaliado em 672 milhões de dólares (cerca de 601 milhões de euros), incluindo superiates, mansões e aviões privados.
A consultora terá também aconselhado o oligarca russo a avançar com um esquema para evitar o pagamento de uma enorme quantia em impostos sobre a sua fortuna, através da falsificação de documentos.
Barrister Andrew Mitchell KC, especialista em direito de serviços financeiros, diz à BBC que os indícios mostram que o esquema constituía uma evasão fiscal “simples e direta” e que “não poderia ser mais flagrante”.
Já os advogados de Roman Abramovich afirmam que o oligarca russo nega ter fugido ao pagamento de impostos ou escondido a sua fortuna , afirmando ainda que a investigação não apresentou provas de que este tivesse conhecimento, autorizado ou ordenado a falsificação de qualquer documento e que era legítimo confiar na orientação de profissionais.
A Deloitte Chipre garante ter “agido em conformidade com as leis aplicáveis”.
Os indícios partem de uma fuga de milhares de documentos sobre as finanças de Abramovich e uma rede de empresas offshore geridas a partir do Chipre — um paraíso fiscal popular entre os russos — entre 1995 e 2022, descreve a BBC.
Uma fuga que, refere, terá acontecido na MeritServus, empresa que foi detida pela Deloitte até 2005, e que revelou algumas das práticas.
Um dos casos relatados remonta a 2006 quando uma alteração legislativa no Chipre obrigou à divulgação pública das contas das empresas.
A nova lei da transparência ameaçou expor os segredos em torno da vasta fortuna de Abramovich.
A Deloitte Chipre tinha preparado as contas para 2003 para a Amiscan Investments, empresa cipriota do oligarca russo com ativos de luxo avaliados em 672 milhões de dólares : uma mansão, um apartamento de luxo em Londres e uma propriedade no sul de França, além de helicópteros, aviões privados e um pequena frota de embarcações.
Para evitar que este património fosse conhecido, representantes do empresário e a Meritservus terão desenhado um plano para transferir estes ativos para uma sociedade-mãe nas Ilhas Virgens Britânicas.
Além disso, a investigação mostra que terão retroagido a alteração em três anos para fazer parecer que a transferência de ativos tinha ocorrido em 2003.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.