Portugal entre dois impérios digitais
Encontramos o nome de Portugal numa lista que a maioria dos portugueses desconhece, entre 35 países que assinaram em junho a Declaração de Oportunidade em Inteligência Artificial (IA) promovida por Washington.
É precisamente a esse grupo de países que dirige agora uma carta do Departamento de Estado, obtida pela Reuters, que exige uma escolha binária.
Ou escolhemos a aliança americana ou a aliança chinesa, mas nunca as duas.
Convém recordar como chegámos até aqui.
A declaração é a antecâmara da Pax Silica , aquela aliança lançada em dezembro passado por Donald Trump para garantir cadeias de fornecimento de chips , minerais críticos e modelos avançados de IA.
Mais de duas dezenas de países já lá estão e a União Europeia, enquanto bloco, só aprovou a assinatura a 8 de junho, depois de a França se ter oposto inicialmente à participação europeia.
Portugal seguiu a posição comunitária sem debate público relevante, coerente com o padrão conhecido de aderir a compromissos internacionais sem que o debate interno acompanhe a dimensão do que está em jogo.
O alvo implícito da carta é a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO), criada por Xi Jinping em julho, com sede em Xangai, para difundir modelos de IA abertos que qualquer país pode descarregar e adaptar.
Vinte e nove países são membros fundadores, tais como a Rússia, a Indonésia, a África do Sul e o Brasil.
Só o Cazaquistão conseguiu, até agora, estar nos dois blocos ao mesmo tempo.
É essa ambiguidade que Washington quer tornar impossível.
Fazer parte de tudo é não fazer parte de nada, resume a carta, sem nunca nomear a China, porque a diplomacia também sabe insultar sem sujar as mãos.
A pressão funciona porque esta disputa é desigual à partida.
Os Estados Unidos e a China empregam 70% dos principais investigadores de Inteligência Artificial do mundo e controlam 90% de toda a capacidade computacional instalada, segundo cálculos do Carnegie Endowment publicados na Foreign Affairs .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.