Vítima do sistema, fantasista ou ambos?
Jason Arday tornou-se, em poucas semanas, uma figura reconhecida internacionalmente.
O mais novo professor negro a integrar os órgãos docentes da reputada Universidade de Cambridge, no Reino Unido, professor de Sociologia da Educação e pai de duas crianças, foi acusado de plágio, encheu o mundo da internet de ódio e violência e acabou por ser encontrado morto em casa na passada sexta-feira, dia 14 de agosto.
A polícia garante que não há evidências de uma morte suspeita – como se o falecimento de um homem de 41 anos, saudável, em casa não fosse suficiente para levantar suspeitas – e o mundo acalmou, finalmente.
O que não deixa de ser absolutamente assustador.
Vamos aos factos, por ordem cronológica: Jason Arday, filho de pais ganeses que emigraram para o Reino Unido, nasceu naquele país em 1985.
Em 2015, recebeu o grau de Doutoramento pela John Moores University, em Liverpool, e em 2023 foi contratado pela Universidade de Cambridge.
Tinha 37 anos.
A própria instituição e outros pares começaram, rapidamente, a apelidá-lo de “um académico excecional”, salientando o seu contributo para a área de investigação a que se dedicava.
Sem surpresas, sobretudo por se ter transformado num exemplo para a comunidade negra e desfavorecida – crescera num bairro social, tivera um diagnóstico de autismo enquanto criança e consta que foi não-verbal até praticamente à adolescência – Arday foi imediatamente alvo de um escrutínio por parte dos media britânicos.
"Sem surpresas, sobretudo por se ter transformado num exemplo para a comunidade negra e desfavorecida – (...) – Arday foi imediatamente alvo de um escrutínio por parte dos 'media' britânicos." O que surpreende não são as investigações, mas sim a duração e a intensidade desse escrutínio.
Depois de uma pesquisa rápida na internet foi possível perceber que nenhum outro académico britânico recebeu tanta atenção por parte dos órgãos de comunicação social, logo após a contratação por uma instituição universitária, como Arday.
Telegraph , Times , Guardian , BBC, Sky e ITV foram alguns dos que, simultaneamente, alocaram recursos à investigação deste professor de Sociologia.
Houve investigação pública sobre as suas credenciais, sobre os seus feitos pessoais, sobre a sua tese de doutoramento, sobre os artigos científicos publicados, sobre as nomeações honorárias… na verdade, sobre tudo.
Ninguém esperou por uma denúncia, por uma retratação de um artigo científico, por um escândalo científico.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.