Movimento estudantil questiona Ventura sobre invasão de estúdio da RUC
O Movimento Associativo Estudantil (MAE) endereçou hoje uma carta ao presidente do Chega, André Ventura, questionando o líder partidário sobre a invasão do estúdio da Rádio Universidade de Coimbra por uma comitiva liderada por duas deputadas do partido.
A carta, dirigida a André Ventura e que condena a invasão que ocorreu na segunda-feira e consequente interrupção da emissão da rádio, é subscrita pelas associações académicas das universidades do Algarve, Aveiro, Beira Interior, Coimbra, Évora, Madeira, Minho e Trás-os-Montes e Alto Douro, federações académicas de Lisboa e do Porto e Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico.
No documento a que a agência Lusa teve acesso, é recordado que a legislação portuguesa "consagra expressamente a liberdade de programação e de informação dos operadores de rádio, atribuindo-lhe uma proteção que encontra tradução, designadamente, na tipificação do crime de atentado contra a liberdade de programação e informação".
"Sem prejuízo de caber às autoridades competentes a apreciação e qualificação jurídica dos factos, a interrupção forçada de uma emissão em direto suscita preocupações sérias à luz dos princípios que esta norma visa salvaguardar", sublinham os signatários.
O MAE questiona André Ventura sobre se teve conhecimento prévio da ação promovida pela comitiva do Chega, liderada pelas deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro, e se "autorizou ou autorizaria a entrada das senhoras deputadas nas instalações" da Rádio Universidade de Coimbra (RUC).
"Concorda e subscreve as ações de interferência na programação e emissão da RUC, protagonizadas por parte das senhoras deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro", questiona ainda a carta.
No documento, os signatários sublinham a gravidade da situação ocorrida na segunda-feira, assinalando a "importância da proteção efetiva da liberdade de imprensa e da independência editorial".
A carta pede ainda que André Ventura avance com um esclarecimento público sobre a situação até ao final da manhã de hoje, "de modo a permitir a compreensão das responsabilidades políticas associadas a estes acontecimentos".
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC), José Machado, salientou a união do movimento em torno deste tema, tendo as diferentes associações e estruturas estudantis decidido reunir ainda no dia de segunda-feira para tomar uma posição sobre o assunto e redigir a carta.
Vários membros do Chega invadiram na manhã de segunda-feira o estúdio da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), em protesto contra a proibição da Associação Académica de Coimbra de entrada no edifício.
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