PSD tem “uma mão estendida à extrema-direita” e pode ficar “sem mão”, diz Ferro Rodrigues
O ex-presidente da Assembleia da República Eduardo Ferro Rodrigues considera que o PSD corre riscos com a associação à extrema-direita.
Em entrevista ao Público (acesso condicionado) , o antigo líder do PS é defensor de entendimentos entre o partido que liderou e os social-democratas, pelo que lhe “parece bem” o facto de José Luís Carneiro ter anunciado que iria permitir a viabilização do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).
Na entrevista, divulgada esta terça-feira, Eduardo Ferro Rodrigues enaltece a liderança de José Luís Carneiro no PS .
Em relação ao anúncio do secretário-geral socialista, em entrevista ao ECO, de que o partido irá abster-se no OE2027 , viabilizando o documento, o antigo ministro de António Guterres elogiou a decisão.
“Caso contrário, era voltarmos a ver as habilidades da extrema-direita.
O facto de o PS atalhar esta questão já não impede que, mais à frente, possa discutir medidas na especialidade ”, assinalou.
Ferro acusa Governo de gestão de ultrapassar limites legais Ler Mais Por outro lado, faz um “balanço muito negativo” do Governo de Luís Montenegro.
“Aquilo que aconteceu e continua a acontecer é que há uma mão estendida do PSD à extrema-direita, e isso é um risco, para a democracia e para o PSD, de ficar mesmo sem mão.
Isso é uma coisa que me preocupa bastante”, argumentou, ressalvando que medidas de natureza conjuntural, na área dos preços e rendimentos, são distintas de revisões constitucionais ou de estrutura de regime .
“Se houvesse a manutenção desses acordos, tinha de ser rapidamente desfeita a ilusão de que o PSD tinha uma posição equidistante entre o que Chega e o PS, porque estaria totalmente nas mãos do Chega.
Felizmente, a tempo houve uma paragem desse processo, não sei se definitiva”, disse.
É por esse motivo que considera que, “quando há sinais de abertura por parte do PSD, o PS não deve deixar de responder positivamente”.
“Já há três anos escrevi que em momentos de grandes dificuldades nacionais, europeias, mundiais, de âmbito financeiro, económico e social, uma resposta deste tipo não só se justifica como pode ser imperativa”, explicou.
Questionado sobre as medidas para responder ao aumento do custo de vida da população, o antigo presidente da Assembleia da República caracterizou como “pouco eficazes e muito estritas , e que dificilmente dão uma resposta significativa a esta crise inflacionária”, embora não tenha esclarecido se concordava com o IVA zero no cabaz alimentar.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.