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Como retomar a posse da “cozinha”? O futuro do jornalismo na era da IA

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Como retomar a posse da “cozinha”? O futuro do jornalismo na era da IA

Pedro Sousa Carvalho (Agência Lusa), Sofia Tenreiro (Siemens Portugal), José Eduardo Moniz (TVI), Vania Baldi (OberCom) e Sofia Marta (Google Cloud) ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA “ Nós, os media, somos o restaurante que serve boa comida, e as grandes tecnológicas são aquele senhor que está à porta do restaurante a indicar aos clientes que podem entrar. ” Foi com esta imagem que Pedro Sousa Carvalho, chefe de redação da agência Lusa e moderador, começou por enquadrar a relação entre os media e as grandes tecnológicas , como a Alphabet (Google) e a Meta (Facebook e Instagram), na abertura do painel dos 40 anos da Lusa dedicado ao tema.

Entretanto, o porteiro começou a cobrar comissões para deixar entrar os clientes, disse.

E, com a inteligência artificial (IA), “estamos a chegar a um ponto mais estranho, em que o senhor à porta do restaurante já está a dizer aos clientes para não entrarem para jantar, porque ele próprio, ali à porta, faz um petisquinho e ficam todos satisfeitos”.

Na prática, o moderador alertou para a quebra do tráfego de referência enviado pelas plataformas para os sites dos media — que diz “está a baixar drasticamente” –, à medida que os sistemas de IA passam a responder diretamente aos utilizadores Como é a redação do futuro? O jornalista também destacou o lado bom do “casamento” , com algumas empresas tecnológicas a pagarem a órgãos de comunicação social , nomeadamente às agências de notícias, pela utilização dos seus conteúdos , incluindo para o treino de modelos de inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, fornecem ferramentas como tradutores automáticos, ferramentas de conversão de voz em texto e programas de varrimento de sites.

Tal tem permitido, por exemplo, à equipa Local da agência noticiosa analisar os sites e redes sociais de todas as 3.258 freguesias que acompanha.

A relação também pode ampliar o alcance das notícias.

“Se colocar uma notícia na homepage da Lusa, provavelmente ao longo do dia vou ter, em cada momento, cerca de 100 pessoas lá dentro.

Mas se o Google News puxar essa notícia, de repente passo a ter 2 mil, 3 mil ou 5 mil pessoas dentro dessa notícia”, exemplificou.

Esta relação ambivalente atravessou o painel, que juntou Sofia Tenreiro , CEO da Siemens Portugal , José Eduardo Moniz , diretor-geral da TVI , Sofia Marta , country manager da Google Cloud , e Vania Baldi , vogal da Comissão Executiva do OberCom e professora do ISCTE .

Uma relação desigual As gigantes tecnológicas têm permitido ao jornalismo chegar mais distante, mas a relação está longe de ser apontada como equilibrada.

José Eduardo Moniz chamou-lhe uma relação de frenemies .

“ Precisamos deles para nos distribuírem.

Eles precisam dos nossos conteúdos, embora saibamos que estamos a ser indecentemente explorados.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.

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