Sardoal prepara apoios a montarias para reforçar controlo de javalis
"Para nós, a inclusão este projeto-piloto é importante porque é o reconhecimento de que o problema existe. É o reconhecimento também da tutela de que o problema existe e que importa ser controlado", afirmou à agência Lusa Pedro Rosa (PSD).
O autarca de Sardoal, no distrito de Santarém, adiantou que a proposta de apoios às associações de caçadores será apresentada na próxima reunião do executivo, procurando reforçar o controlo de javalis, cuja presença tem provocado prejuízos agrícolas e preocupações com a segurança rodoviária.
"É um apoio que se vai materializar apenas no apoio às montarias, à realização das montarias", explicou Pedro Rosa, acrescentando que o município colaborará com as associações na aplicação das regras do projeto-piloto do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
"Mas, neste momento, há que meter as mãos na massa e fazer este controlo de densidades", defendeu.
A intenção de atribuir apoios financeiros já tinha sido transmitida às associações numa reunião do Conselho Cinegético Municipal, confirmou à Lusa Nuno Carreira, vice-presidente da Associação de Caçadores de Sardoal, que apontou despesas com matilhas de cães e necessidades de apoio logístico e administrativo.
"Já está esgotada", confirmou Nuno Carreira, explicando que a ação decorrerá numa zona de confluência de três áreas de caça, com associações de zonas vizinhas, procurando reduzir a presença de javalis junto à estrada.
"Além de ser um hábito cinegético, também nos preocupamos com a segurança de pessoas que frequentam diariamente aquela estrada", afirmou.
O dirigente referiu que, em montarias anteriores, chegaram a ser abatidos entre 15 e 20 javalis, considerando positivo um resultado semelhante, embora dependa das condições no terreno e se os animais se vão manter na "mancha" selecionada e onde hoje se encontram.
Segundo Nuno Carreira, a população de javalis tem aumentado nos últimos anos, sendo frequentes os contactos de moradores a denunciar prejuízos em hortas e culturas agrícolas.
"A população tem aumentado drasticamente nos últimos anos", alertou, defendendo uma resposta articulada entre Governo, municípios e associações de caçadores.
A Associação de Caçadores de Sardoal pretende aderir ao projeto-piloto do ICNF e prepara os requisitos administrativos para participar, segundo o dirigente, que considera complementares os incentivos nacionais e os apoios municipais.
"Todos os apoios serão bem-vindos para combater este flagelo", afirmou, salientando que a caça também contribui para prevenir acidentes rodoviários e prejuízos agrícolas.
O projeto-piloto nacional, lançado pelo Ministério da Agricultura e Mar através do ICNF, dispõe de 500 mil euros e abrange mais de 1.300 zonas de caça, em 65 concelhos de 15 distritos de Portugal continental.
No Médio Tejo, apenas Abrantes, Mação e Sardoal foram incluídos nesta fase, tendo a Comunidade Intermunicipal defendido o alargamento a outros municípios afetados pela presença de javalis.
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