Vírus Shamonda chega aos humanos? O que se sabe sobre o primeiro caso
O vírus Shamonda foi identificado pela primeira vez num ser humano, um doente francês gravemente imunodeprimido que morreu no início de outubro, anunciaram as autoridades francesas, que afastam, para já, riscos para a população em geral.
O vírus, conhecido há mais de 60 anos e até agora associado exclusivamente a animais, sobretudo bovinos, foi identificado pela primeira vez na Europa em julho e já circula em 14 países da Europa Ocidental.
Eis os pontos essenciais sobre o vírus Shamonda, as circunstâncias da primeira infeção humana conhecida e os riscos sanitários identificados:
O Shamonda pertence à família dos ortobuniavírus e é transmitido por pequenos insetos hematófagos, nomeadamente mosquitos do género Culicoides.
Foi identificado pela primeira vez na Nigéria, em meados da década de 1960, tendo sido posteriormente detetado em bovinos de vários países da África Ocidental, Oriental e Austral, bem como no Japão.
Até agora, considerava-se que não era transmissível aos seres humanos.
Nos bovinos, os principais sintomas incluem diarreia aguda, febre, prostração e diminuição da produção de leite.
A doença não está sujeita a regulamentação sanitária específica e subsistem dúvidas sobre os seus efeitos a longo prazo, nomeadamente na fertilidade dos animais.
O vírus foi identificado pela primeira vez na Europa no final de julho de 2026, incluindo em França, tendo-se propagado rapidamente.
Segundo o mais recente balanço semanal da plataforma francesa de epidemiovigilância em saúde animal (ESA), a circulação do vírus já foi confirmada em 14 países da Europa Ocidental.
Em França, foi detetado em bovinos de 52 departamentos, bem como em ovinos de dois departamentos e em equinos de um departamento.
O Instituto Nacional de Investigação para a Agricultura, Alimentação e Ambiente (Inrae) considerou, em agosto, que a rápida propagação poderá estar relacionada com condições climáticas favoráveis à proliferação dos insetos transmissores.
O primeiro caso humano conhecido foi identificado num doente gravemente imunodeprimido, que recebeu tratamento em Lyon, no centro-leste de França, e morreu no início de outubro.
Segundo os ministérios franceses da Saúde e da Agricultura, trata-se da "primeira deteção documentada e comunicada do vírus num ser humano".
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