Warsh avisa que Fed terá “trabalho a fazer” se inflação persistir. Investidores reforçam aposta na subida dos juros
A Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos terá “trabalho a fazer” se os decisores de política monetária não estiverem confiantes de que a inflação subjacente está a regressar à meta de 2%, afirmou na sexta-feira o chair Kevin Warsh, dando um raro sinal aos investidores sobre a possibilidade de o banco central ter de subir as taxas de juro para travar a inflação .
“Eis o meu standard : temos de estar confiantes de que a inflação subjacente está a avançar para o nosso objetivo , de forma clara e a um ritmo suficiente”, disse, num discurso no Jackson Hole Symposium, no estado do Wyoming.
“Caso contrário, temos trabalho a fazer.” Warsh, que foi nomeado por Donald Trump em janeiro e assumiu o cargo em maio, explicou que “é essa a nossa função… o nosso mandato… e a nossa responsabilidade”.
Os investidores reagiram de imediato, fazendo subir para 46% as probabilidades de um aumento das taxas de juro de 25 pontos base na reunião da Fed de 15 e 16 de setembro , face aos cerca de 35% registados na quinta-feira, segundo dados da CME Fedwatch.
A Fed ainda não mexeu nas Federal Funds Rates este ano, com o custo do dólar a manter-se no intervalo 3,50%-3,75%.
A yield dos títulos do Tesouro a dois anos – a maturidade mais sensível às taxas de juro da Fed – subiu 6,6 pontos base, para 4,29%, o nível mais elevado em cerca de um mês , enquanto as bolsas ampliaram ligeiramente os ganhos.
Para Oliver Pursche, senior vice-presidente na Wealthspire Investor a conclusão inicial é que Warsh está, até certo ponto, a dar ao mercado o que este quer.
“Reconhece que a inflação é uma questão recorrente, mas mantém a sua posição de não se adiantar demasiado ao prever o que a Reserva Federal poderá ou não fazer no futuro”, disse, citado pela Reuters , admitindo que “é o melhor que se poderia esperar dele e mercado está a refletir isso”.
“Números mais preocupantes” O presidente da Fed não abordou diretamente as recentes — e surpreendentes — intervenções no mercado por parte do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, mas afirmou que o banco central “precisa de sinais claros do mercado , tão não-filtrados quanto possível”.
Investidores querem sinais claros de Warsh em Jackson Hole Ler Mais Warsh foi mais direto em relação à inflação, sublinhando que os progressos registados nos últimos dois anos têm sido modestos, com o Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) — o indicador preferido da Fed —, a ficar nos 3,7% numa base anual em julho.
“Os dados recentes não me indicam que as tendências subjacentes tenham melhorado significativamente”, lamentou.
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