Falta de memória faz disparar preços e atrasa revolução
A procura dos centros de dados está a absorver capacidade de produção de memórias de alto desempenho e de componentes destinados a servidores, reduzindo a oferta disponível para computadores, telemóveis, consolas e outros equipamentos.
O resultado é o aumentos dos preços.
Em alguns segmentos, a fatura é multiplicada por cinco ou seis vezes.
O estrangulamento já é rotulado, de forma dramática, como RAMpocalypse ou RAMaggedon.
A Counterpoint Research calculou que os preços das memórias subiram entre 80% e 90% só no primeiro trimestre deste ano, face aos três meses anteriores, com DRAM (a memória convencional, usada quando a informação está a ser trabalhada num computador), HBM (memória para uso, mas muito mais rápida) e NAND (memória onde ficam guardados os ficheiros) a atingirem máximos.
A TrendForce estima que os preços contratuais da DRAM convencional tenham aumentado entre 93% e 98% no mesmo período e prevê que a pressão se prolongue, antecipando que deverá ainda encarecer entre 13% e 18%.
A NAND deverá aumentar entre 10% e 15% no último trimestre.
Esta escalada de preços já chegou ao consumidor.
Microsoft, Apple, Amazon, Dell, HP e Cisco aumentaram preços ou introduziram medidas para repercutir o aumento dos custos dos componentes.
No mercado empresarial, a pressão está a atingir também a própria infraestrutura que suporta a inteligência artificial (IA): a “Bloomberg” noticiou que servidores equipados com os novos chips da Nvidia poderão ficar mais de 15% mais caros no início de 2027.
O aumento do custo da memória ameaça tornar mais cara e mais lenta a massificação da IA.
A tecnologia que está a provocar a escassez começa também a sofrer as consequências dessa escassez.
Os culpados mais óbvios são os centros de dados.
Os sistemas utilizados para treinar e executar modelos de IA necessitam de quantidades muito superiores de memória às dos equipamentos tradicionais.
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