China intensifica campanha anticorrupção com recorde de altos quadros investigados
A campanha anticorrupção lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, atingiu em 2025 novo pico, com 65 altos funcionários investigados, mais do triplo dos 19 registados no primeiro ano, 2013, segundo uma análise de um jornal.
O levantamento publicado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post (SCMP) abrange cerca de 457 altos funcionários – quadros de nível equivalente ou superior a vice-ministro – investigados entre 2013 e 2025 pela Comissão Central de Inspeção e Disciplina (CCDI), órgão máximo anticorrupção do Partido Comunista Chinês (PCC).
Conhecidos na China como “tigres”, em contraposição às “moscas”, designação aplicada aos funcionários de escalões inferiores, estes altos quadros têm sido um dos principais alvos da campanha iniciada após Xi chegar à liderança do PCC, no final de 2012.
O número de investigações subiu rapidamente e atingiu o primeiro pico em 2014, antes de diminuir gradualmente.
A tendência inverteu-se a partir de 2020, culminando nos 65 casos registados no ano passado.
Segundo o levantamento, 59% dos altos quadros investigados trabalhavam em governos locais, enquanto 20% pertenciam a organismos do Governo central ou do PCC em Pequim.
A campanha atingiu também os próprios responsáveis pela disciplina partidária: 16 funcionários ligados aos órgão encarregados de fiscalizar os quadros foram investigados, equivalentes a 3,5% do total analisado.
Os dados sugerem ainda diferenças geográficas significativas.
As províncias de Jiangxi (leste) e Liaoning (nordeste) e a região autónoma da Mongólia Interior (norte) registaram o maior número absoluto de altos funcionários investigados.
As províncias e municípios mais ricos do leste e da costa chinesa registaram menos investigações.
Segundo a análise do SCMP, a diferença poderá estar associada a maior transparência administrativa, melhor circulação de informação e uma cultura mais orientada para o mercado nas regiões economicamente mais desenvolvidas.
A idade dos investigados revela também que a campanha atinge sobretudo dirigentes próximos do final da carreira: 34,6% tinham entre 60 e 64 anos e 33,5% entre 55 e 59.
A reforma deixou ainda de proteger os funcionários.
O princípio da “responsabilidade vitalícia”, incorporado na doutrina do partido em 2016, permite responsabilizar funcionários em qualquer momento, mesmo depois de abandonarem funções.
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