Novos movimentos políticos: revela “um certo fracasso dos partidos”, diz José Palmeira
No final do mês de agosto surgiu um novo movimento de direita “O Futuro Português” e esta semana foi noticiado que nasceu um novo partido à esquerda, o “Vamos – Democracia Solidária”.
Segundo o politólogo José Palmeira estes surgimentos no campo político revelam “um certo fracasso dos partidos” que atualmente estão representados na Assembleia da República.
“O objetivo de um movimento não é propriamente crescer, o objetivo dos movimentos, principalmente, quando são dinamizados por figuras ligadas a partidos políticos, é alargar a área de influência desses próprios partidos”, afirmou José Palmeira.
O movimento de direita chama-se “O Futuro Português” e é liderado em conjunto por Rita Matias e Alexandre Sousa.
O grupo define-se como um movimento nacionalista que defende a soberania nacional, a identidade, a tradição e a continuidade histórica de Portugal.
Rita Matias negou estar em rutura com o partido Chega.
A deputada explicou que o objetivo é ajudar a construir movimentos na sociedade civil.
Por sua vez, o líder do Chega, André Ventura, afirmou que não conhece bem a estrutura do movimento, garantiu também que a iniciativa é independente da atividade oficial do partido, mas afastou a hipótese de haver uma divisão interna.
O movimento tem gerado debate político e sido rotulado por setores mediáticos e críticos como “neofascista”.
Os promotores rejeitam este rótulo, afirmando que o projeto procura “dar resposta aos anseios populares através do nacionalismo e do debate de ideias, e não de insultos políticos”.
Segundo José Palmeira “estes movimentos normalmente incluem figuras partidárias independentes e o objetivo normalmente é alargar a área de influência”.
“Muitas vezes esses movimentos surgem sobretudo a partir de partidos que estão na oposição, figuras que estão ligadas a partidos que estão na oposição e que querem preparar o regresso ao poder e uma forma de o fazer é lançar estes movimentos”, aponta.
“Um outro aspecto, que revela o surgimento destes movimentos é que os partidos políticos, os grandes partidos em Portugal, o PS, o PSD e o Chega, eles próprios quando os movimentos surgem a partir de figuras que estão ligadas aos partidos isto revela que dentro dos partidos não há esse debate e essa reflexão”, referiu José Palmeira.
Para o politólogo “os partidos são cada vez mais máquinas eleitorais e não propriamente espaços onde a reflexão seja facilitada ou onde os partidos possam integrar personalidades não filiadas com esse objetivo”.
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