Lavrov na ONU: Rubio confirma convite a Putin para o G20, Rússia recusa mera “pausa” na guerra
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, protagonizou esta quarta-feira um dia intenso de diplomacia em Nova Iorque, à margem da Semana de Alto Nível da 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (UNGA).
Ao encontro a portas fechadas com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, seguiu-se um anúncio de peso: Washington convidou formalmente o Presidente russo, Vladimir Putin, para a cimeira do G20, que se realizará em Miami a 14 e 15 de dezembro.
Rubio disse aos jornalistas que a participação de Putin seria uma oportunidade para o líder russo dialogar não só com o Presidente Donald Trump, mas também com outros líderes mundiais, manifestando esperança de que o convite seja aceite.
O secretário de Estado defendeu a lógica do convite argumentando que encontros entre líderes que discordam entre si são necessários para resolver problemas, ao contrário de reuniões apenas entre pessoas que já concordam.
Questionado sobre uma eventual trégua no setor energético, Rubio afirmou que tanto Moscovo como Kiev manifestaram interesse num cessar-fogo limitado que abranja cereais e energia, sublinhando que tal não resolveria a guerra mas poderia aliviar parte das tensões globais atuais.
Até ao momento, o Kremlin não reagiu oficialmente ao anúncio de Rubio, e o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também não comentou.
Recorde-se que o único encontro presencial entre Putin e Trump desde o início da guerra na Ucrânia ocorreu a 15 de agosto de 2025, no Alasca, sem resultados concretos, já que a proposta dos EUA ao presidente russo foi aceite, mas depois rejeitada pelos líderes europeus.
Putin não participa presencialmente em cimeiras do G20 desde que o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu um mandado de captura contra si, em 2023, por acusações ligadas à deportação ilegal de crianças ucranianas.
Lavrov recusa “pausa” na guerra Horas depois de se reunir com Rubio, Lavrov discursou perante o Conselho de Segurança da ONU, numa intervenção marcada por um tom desafiante.
O chefe da diplomacia russa declarou que Moscovo não vai fazer uma pausa na sua “operação militar especial” contra a Ucrânia, acusando a Europa de querer aproveitar um eventual cessar-fogo para reabastecer de armas o regime de Kiev.
Ainda assim, Lavrov afirmou que a Rússia está disposta a alcançar uma “paz duradoura e justa”, ao mesmo tempo que responsabilizou a Europa pela invasão russa de 2022.
Do lado ucraniano, o chanceler Andrii Sybiha pediu um cessar-fogo total ou parcial, lamentando que, apesar dos muitos discursos proferidos no Conselho de Segurança, a guerra continue, com impacto nos preços da energia e dos alimentos e na segurança mundial.
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