OE2027: ANJE reconhece avanços, mas pede mais ambição
A Associação Nacional de Jovens Empresários, ANJE, “considera que a proposta de Orçamento do Estado para 2027 inclui sinais positivos para a competitividade da economia portuguesa, nomeadamente a continuidade da redução do IRC, os incentivos à capitalização empresarial, o reforço dos instrumentos de financiamento e a aposta na simplificação administrativa”.
Ainda assim, refere a associação em comunicado, “entende que o debate parlamentar deve ser aproveitado para contemplar medidas adicionais que reforcem o empreendedorismo, o investimento e o crescimento das empresas”.
“Reconhecemos os passos positivos que estão a ser dados, mas acreditamos que Portugal tem condições e necessidade de ser mais ambicioso.
Não basta criar melhores condições para trabalhar e viver no nosso país.
Precisamos também de criar condições para que mais jovens possam empreender, investir, assumir riscos e construir empresas de sucesso a partir de Portugal”, refere Carlos Carvalho, presidente da ANJE, citado pelo comunicado.
A ANJE valoriza a trajetória de redução do IRC, mas salienta que o seu impacto é necessariamente limitado para muitas startups e empresas inovadoras que, nas fases iniciais de atividade, ainda não apresentam resultados tributáveis positivos.
Nesse sentido, a associação defende “um enquadramento fiscal mais favorável ao investimento de risco, à capitalização e ao reinvestimento, bem como mecanismos que tenham em consideração as especificidades das empresas em fase de desenvolvimento e crescimento”.
A associação acompanha positivamente o reforço dos instrumentos de financiamento e capital de risco, “designadamente através do Banco Português de Fomento, mas sublinha que o sucesso destas iniciativas dependerá da sua capacidade de chegar efetivamente às empresas.
É fundamental garantir instrumentos acessíveis, previsíveis e ajustados às diferentes fases do ciclo empresarial, desde o arranque até à internacionalização, reforçando simultaneamente a mobilização de investimento privado e a estabilidade dos incentivos à investigação e desenvolvimento”.
Uma das propostas que a ANJE considera particularmente relevantes passa pela utilização mais estratégica das compras públicas como instrumento de estímulo à inovação e ao empreendedorismo.
A associação defende que “o Estado deve assumir um papel mais ativo enquanto primeiro cliente de soluções inovadoras, permitindo que startups e empresas emergentes possam testar, validar e comercializar os seus produtos e serviços através da resposta a necessidades concretas da Administração Pública”.
Esta abordagem, alinhada com as orientações europeias para a contratação pública de inovação, permitiria modernizar os serviços públicos e, simultaneamente, criar oportunidades de mercado para empresas portuguesas.
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