Hackers divulgam dados de 70 mil agentes marroquinos. "Migração é plano"
U m grupo de hackers divulgou, na segunda-feira, uma série de nomes, números de identificação nacional e outros dados sensíveis alegadamente de milhares de agentes dos serviços de espionagem interna e da polícia de Marrocos, na sequência da entrada ilegal de mais de 70 mil pessoas em Ceuta. O Jabaroot detalhou, além disso, que "a migração de marroquinos para a Europa, começando pela Espanha, é um plano oficial marroquino" orquestrado por dois conselheiros reais, sem o conhecimento do rei Mohammed VI, mas com o aval dos Estados Unidos e de Israel.
De acordo com o El Confidencial, os documentos divulgados incluem dados de identificação (bilhete de identidade nacional e número de funcionário da Administração Pública) e o ano de recrutamento nas respetivas agências de, pelo menos, 70 mil agentes da Direção-Geral de Supervisão do Território (DGST, na sigla francesa) e da Direção-Geral de Segurança Nacional (DGSN). O mesmo meio deu conta de que, numa segunda lista, constam também as patentes dentro do corpo policial e os números de identificação bancária de 1.400 agentes.
Vários ex-agentes dos serviços secretos marroquinos confirmaram ao jornal espanhol que alguns dos nomes divulgados pertencem, de facto, à DGST, entre eles o diretor de recursos humanos, o diretor-adjunto de contra-espionagem e o chefe da Unidade de Investigação.
Se os dados forem autênticos, esta fuga de informação poderá ser considerada a maior falha de segurança enfrentada pelo aparelho estatal nas últimas décadas . O Jabaroot tinha, dias antes, ameaçado publicar os documentos, alegando que o alto responsável de ambas as agências, Abdellatif Hammouchi, estava por detrás da crise migratória.
"O grande presente de Jabaroot à Europa, e especialmente à Espanha. […] O Jabaroot cumpre a sua promessa de publicar isto para confirmar que a migração de marroquinos para a Europa, começando pela Espanha, é um plano oficial marroquino", disse.
O grupo de hackers, cuja identidade ou afiliação ainda se desconhece, embora em Marrocos se aponte para a vizinha e rival Argélia, esclareceu que em causa estão os dados de "70 mil agentes dos serviços de inteligência e segurança marroquinos, que percorreram a Europa a levar a cabo as missões de inteligência mais sujas, como espionagem, instalação de dispositivos de escuta e suborno de políticos e empresários".
Os hackers, que prometeram divulgar os nomes dos atores que "orquestraram e coordenaram o plano de Ceuta" , indicaram ainda terem obtido cópias das ordens destinadas aos "agentes que se deslocaram a Fnideq antes e durante os acontecimentos". O organismo atribuiu a responsabilidade ao principal conselheiro real, Fouad Ali el Himma, em colaboração com um outro conselheiro, cujo nome não mencionou diretamente.
"Foram eles que planearam o ataque para colocar a Espanha numa situação difícil. […] Tudo aconteceu com o conhecimento de um grande país e de outro Estado fictício" , lançou, referindo-se aos Estados Unidos e a Israel, dois aliados de Marrocos.
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