Os 10% mais ricos concentram 59% da riqueza das famílias
Ordenando as famílias portuguesas das mais pobres para as mais ricas, os 10% do topo ficaram, em média, com 59% da riqueza líquida do país entre 2010 e 2025 , enquanto as famílias com riqueza abaixo da mediana (que são metade do total) ficaram apenas com 6% desse bolo.
Os números constam das contas de distribuição da riqueza, estatísticas experimentais do Banco de Portugal que passam a estar disponíveis esta terça-feira numa nova plataforma de dados do supervisor.
Conhecidas internacionalmente como Distributional Wealth Accounts ( DWA ), estas contas são produzidas trimestralmente no âmbito do Sistema Europeu de Bancos Centrais e juntam os dados macroeconómicos das contas nacionais à informação sobre as famílias recolhida no Inquérito à Situação Financeira das Famílias (ISFF), mostrando assim o valor total da riqueza e a forma como se divide por três grupos : os 10% mais ricos, as famílias entre a mediana e esse topo, e as que estão abaixo da mediana.
De acordo com os dados divulgados esta terça-feira pelo Banco de Portugal, no final de 2025, a riqueza líquida das famílias portuguesas totalizava 1.196 mil milhões de euros, cerca de 388% do PIB , e tem crescido desde 2010.
A única exceção foi o período entre 2011 e 2013, em que diminuiu.
No primeiro trimestre de 2026, o valor subiu para 1.214 mil milhões de euros, mais 7,6% do que um ano antes.
Desse total, 714 mil milhões (59%) estavam nas mãos do top 10% e 72 mil milhões nas das famílias abaixo da mediana.
Portugal ganhou 6 mil novos milionários no último ano Ler Mais O índice de Gini , que mede a desigualdade na distribuição da riqueza numa escala de 0 a 100 (em que 0 corresponde a igualdade perfeita e 100 a toda a riqueza numa só família), era de 72,5 em Portugal no primeiro trimestre de 2026.
Na área do euro, o valor era de 73,1.
Entre os países analisados, o índice varia entre os 77 da Finlândia e da Áustria e os 53 de Malta.
O Banco de Portugal conclui que a desigualdade evoluiu de forma semelhante em Portugal e na área do euro entre 2010 e 2025 , tendo aumentado ao longo da década de 2010, diminuído no final desse período e voltado a subir nos anos seguintes.
Composição do património de ricos e “remediados” A diferença da riqueza entre grupos não está só no valor da riqueza acumulada, mas também na composição do património.
Em média, entre 2010 e 2025, os imóveis representaram 52% dos ativos das famílias , à frente dos depósitos (19%) e das participações em capital (16%).
A habitação é assim o principal ativo das famílias portuguesas.
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