Jogar bem e perder o jogo
A Novartis sofreu recentemente a maior queda bolsista da sua história.
Em poucos dias, dois medicamentos da farmacêutica desiludiram em ensaios clínicos.
Pouco antes, suspendera os estudos de uma terapia celular experimental.
E a sucessão de adversidades fez as ações cair cerca de 10% numa única sessão, o que representou a perda de perto de 30 mil milhões de dólares em valor de mercado.
Um destes medicamentos, com resultados aquém das expectativas, chegou à Novartis através da aquisição da Avidity Biosciences, numa operação de 12 mil milhões de dólares, o que intensificou o escrutínio dos investidores sobre a estratégia de aquisições da empresa.
O caso coloca a questão central no governo das sociedades de saber como se avalia a qualidade de uma decisão.
A resposta mais imediata é a mais fácil, mas também a mais enganadora.
Nem sempre se a decisão criou valor foi boa e se provocou perdas foi má.
Uma decisão cuidadosamente preparada pode terminar mal, sobretudo em setores de incerteza elevada.
E uma decisão deficiente pode, por circunstâncias felizes, produzir excelentes resultados.
Decidir bem não é adivinhar o futuro nem ter a sorte de acertar.
É reunir informação suficiente, compreender os pressupostos, testar a solidez das projeções, ponderar alternativas e identificar os riscos.
É também criar espaço para a dúvida e o contraditório, evitando que o conselho de administração se limite a confirmar formalmente decisões já tomadas noutras sedes.
O Código das Sociedades Comerciais acolhe esta ideia.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.