Joaquim Letria (1943–2026). Começou por ser o gosto pela escrita e a defesa dos mais fracos. Depois, havia Tintim
1961, 18 anos, Diário de Lisboa.
“Queres um emprego ou queres ser jornalista? Joaquim Letria guardaria para sempre a pergunta, as condições que se seguiram - 50 escudos por dia, sem pagamento nos dias em que não trabalhasse - e a memória de uma redação onde era preciso aprender depressa.
Décadas depois, explicava a escolha: “ Começou por ser o gosto pela escrita.
Depois o gosto pelo jornalismo e defesa dos pobres e dos mais fracos.” Depois, ainda, havia Tintim, acrescentava, e com ele a vontade de viajar e de conhecer a aventura.
Joaquim Letria morreu esta sexta-feira, 16 de outubro, aos 82 anos.
Deixa um percurso que atravessou a imprensa, a rádio e a televisão, a reportagem internacional e a fundação de jornais, mas também a passagem pela Presidência da República, como porta-voz de Ramalho Eanes.
Numa entrevista à Notícias Magazine, em agosto de 2014, tinha 70 anos, percorreu esse caminho sem o apresentar como uma sucessão inevitável de triunfos.
À pergunta sobre se o êxito o surpreendera, respondeu: “Não é fábula, mas nunca tive tempo para pensar nisso.
E pensando bem, não fico surpreendido.
Deu-me muito trabalho.” Nascido em Lisboa a 8 de novembro de 1943, órfão de mãe desde o nascimento e criado pelos avós, contraiu poliomielite aos dez anos.
Na entrevista, descrevia uma recuperação longa e solitária, a dificuldade de abotoar uma camisa, a necessidade de pedir ajuda para tirar do bolso o dinheiro do bilhete do elétrico.
“Quando os dois braços deixaram de servir foi precisa muita força de vontade, mas nunca me servi da doença como desculpa. ” Mais tarde, já no jornal, aprenderia a escrever com um dedo.
A estreia na reportagem foi um incêndio num prédio da Avenida Duque de Loulé.
Mandaram-no.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.